terça-feira, dezembro 04, 2007

BOSINGWA



José Bosingwa da Silva, sem dúvida um dos valores mais seguros do futebol português.Nasceu há vinte e cinco anos em Kinshasa na República Democrática do Congo, mas foi em Seia distrito da Guarda que deu os primeiros pontapés na bola. Boavista, Freamunde emprestado pelo emblema de xadrez, regresso ao Bessa e por último a mudança para o Dragão é em síntese o percurso do actual titular do lado direito defensivo do Porto e da Selecção. Com uma disponibilidade física impressionante, falta-lhe por vezes mais concentração na definição de acções do jogo. Numa fracção mínima de tempo é capaz (do 800 e do 0,8). Um pormenor ligeiro, que pode corrigir sem grande esforço.
Mais grave parece-me ser a sua personalidade rebelde. Falta de humildade, alguma incontinência verbal e um discurso muito confuso, quando é abordado pelos jornalistas. O caso mais recente aconteceu após o jogo Estrela da Amadora – Porto. Contestar publicamente declarações do treinador não é correcto, nem inteligente, muito menos quando o “mister” tem razão. Ou será que o colectivo portista foi profissional e sério nos cinco minutos finais do jogo. Por muito respeito e simpatia que me merecem, não reconheço aos Amadorenses capacidade futebolística para virarem um resultado de 0-2, para 2-2.
Meu caro Bosingwa, quando se trabalha e pertence a um colectivo, para o bem e para o mal, as responsabilidades são sempre de todos. Tenho saudades do jovem africano – beirão, que eu vi chegar e crescer no covil das panteras. Humilde, ambicioso, sempre disponível, a deixar interrogações se iria ser “crack”a defesa a trinco ou a ala.

sexta-feira, novembro 09, 2007


REGRESSEI



Após alguns meses de paragem, volto ao meu “blogue” para dar conta de algumas observações que me parecem relevantes. Esta pausa permitiu-me analisar tranquilamente e, talvez por isso, com mais pormenor e profundidade. Desde logo o dia-a-dia dos portugueses cada vez com piores perspectivas de futuro, principalmente no que concerne aos jovens. Há falta de emprego e quando é conseguido, normalmente é de condição precária. A política do Governo em demasia virada para a redução do deficit tão do agrado dos “Todo Poderosos “ de Bruxelas, não tem ajudado à resolução do desemprego, sem dúvida a preocupação número um. Apetece dizer, que durante anos fomos governados por avestruzes, de cabeça enfiada na areia não viram outros países como por exemplo a vizinha Espanha estruturar-se, crescer economicamente, e preparar os seus jovens escolar e profissionalmente. Em Portugal, os ricos são cada vez mais ricos e os pobres crescem dia a dia nas ruas das grandes cidades, para não referir a pobreza envergonhada que por ai cresce e se esconde. País de baixa política pejada de intriga e inveja, a fraternidade e a solidariedade são palavras cada vez mais raras no vocabulário nacional. Este Governo, que recebeu um enorme e pesadíssimo fardo, necessitava de uma oposição forte, coerente e credível.
Opositores fortes, é o que para já também tem faltado ao Futebol Clube do Porto na Liga bwin. Também aqui, os dirigentes dos principais adversários dos Dragões têm andado preocupados com demasiadas questiúnculas perfeitamente ridículas e acessórias descurando o essencial. Como em tudo na vida, os mais capazes, organizados e competentes, acabam por triunfar. Mais ainda, no futebol os grandes prejudicados são sempre e só os emblemas mais pequenos.
De resto, registei a saída do José Mourinho do Chelsea. A falha de um titulo na Liga dos Campeões, precipitou o divórcio entre dois amantes do protagonismo. Para concluir esta pequena nota de regresso, duas figuras que nos enchem de orgulho. Filha desse grande campeão das bicicletas Venceslau Fernandes com quem tive o prazer de conviver, Vanessa é naturalmente campeã do Mundo de Triatlo e só um tremendo azar a pode impedir de chegar ao ouro olímpico em Pequim. No mundial de Râguebi, os nossos "Lobos" foram simplesmente brilhantes. Mostraram a muitos profissionais de meia tigela, como se defende, dignifica e honra o desporto e um País. Já se vêm por ai muitos "lobitos" de braço dado com a "OVAL". A alcateia vai crescer e para vós, esse é o melhor prémio.

quinta-feira, junho 21, 2007

INOPORTUNO


O Empresário Joe Berardo, ao que diz benfiquista dos “quatro costados” desde o berço, tem agitado o defeso futebolístico do emblema da águia. Primeiro ao lançar a OPA (Oferta Pública de Aquisição) aos títulos da SAD do Benfica, pretende 85%. Depois, ao insinuar que a equipa principal dos encarnados se assemelha a um lar da terceira idade. Neste particular, o comendador madeirense foi mais longe ao afirmar de forma deselegante, que o regresso do futebolista internacional Rui Costa, atendendo aos trinta e quatro anos, foi um mau negócio.
Sem querer entrar em pormenores de ordem técnica no tocante aos efeitos futuros da OPA na gestão do clube encarnado, as aspirações do Sr. Berardo vão muito além da simples aquisição de títulos. Pretende interferir directamente na gestão da SAD e na política de contratações para a equipa de futebol. Por onde andou este “mecenas”? É caso para os benfiquistas se interrogarem, depois das terríveis e gravosas situações que o Clube tem vindo a ultrapassar.
Seja como for, de imediato Berardo foi inoportuno e já minou o balneário benfiquista. Com a disponibilidade financeira de que parece dispor e apelando ao amor clubista devia colaborar com a actua direcção. Preferiu a praça pública e na verdade ganhou a visibilidade e a notoriedade que as suas obras de arte nunca lhe deram. Berardo já pediu desculpas, mas a pedra já foi lançada. Por outro lado, a solidariedade da direcção para com o grupo de trabalho nomeadamente para com Rui Costa, foi tardia e envergonhada.
Falta saber até que ponto estas atitudes que parecem irrelevantes, não se tornam decisivas quando for necessário dar as mãos cerrar fileiras para se alcançarem os objectivos. Em tempo de aquisições, Joe Berardo, não parece no imediato, ser reforço para o Sport Lisboa e Benfica.

quarta-feira, maio 30, 2007

Paolo Maldini, o Senhor Futebol.





Começo do ano de 1968, na cidade italiana de Milão o conhecido futebolista internacional Cesare Maldini enriquecia o seu agregado familiar com a chegada de um robusto rapaz a que deu o nome de Paolo. Um jovem que viria mais tarde a seguir com sucesso ainda maior, a profissão do progenitor. Com jeito para o futebol, a entrada para o AC Milan um emblema que quase se confunde com o clã Maldini, foi natural. Tinha apenas 17 anos, quando se estreou na equipa principal dos “rossoneris” frente à Udinese, pela mão do velho mestre sueco Nils Liedholm. Foi o começo de uma carreira excepcional.
Fisicamente bem dotado, canhoto, polivalente na defesa e em toda a ala esquerda, faz da colocação e simplicidade de processos as suas grandes virtudes. No balneário, é a referência e o elo de aproximação aos que chegam a Milanello, que o diga Kaká. O jovem internacional brasileiro amante de calças jeans, T-shirts e chinelos de dedo, viu no fim de um treino o seu vestuário sumir-se e ser substituído por um elegante Armani. É a imagem de marca de um dos maiores clubes do Mundo, de uma cidade que é também uma das capitais da moda.
Cinco taças dos campeões europeus, sete campeonatos de Itália, duas taças intercontinentais, quatro super-taças europeias, uma taça de Itália e cinco super-taças também de Itália. Vitória com sabor a desforra por 2-1, frente ao Liverpool. Vinte e dois anos de carreira mais de seiscentos jogos no Calcio o agora quase quarentão, teve há dias no Olímpico de Atenas mais um momento alto ao erguer pela quinta vez a taça da liga os campeões da Europa. Neste particular, só é ultrapassado pelo lendário Francisco Gento do Real Madrid com seis títulos. Vestiu cento e vinte e sete vezes a camisola da squadra azurra que capitaneou em setenta e quatro jogos. Curiosamente, não foram relevantes os êxitos ao serviço da selecção.
O AC Milan e o seu capitão já anunciaram que vão prolongar por mais um ano o amor que os une desde sempre. Depois penso que será o adeus com muita pena de ver partir um grande senhor do futebol, que por tudo que tem feito fora e dentro dos relvados, bem merecia a bola de ouro, quantas vezes entregue a futebolistas sem a classe, nem o prestígio de Paolo Maldini. Certo certo, é que não se vislumbra no futebol mundial, talvez Cristiano Ronaldo ou Káká, com tanto talento, personalidade e capacidade para durar tanto ao mais alto nível.
Será que o seu filho Christian, futebolista das camadas jovens do AC Milan vai herdar a famosa e pesada camisa 3 ? Não há duas sem ... Avô, filho e neto dava mais uma bela "estória".

sexta-feira, maio 25, 2007

Sr. de Matosinhos e S. João, de novo de mãos dadas. É um bom exemplo para leixonenses e portistas.



O Porto bicampeão nacional e o Leixões de regresso ao escalão maior do futebol, deram aos populares festejos das duas grandes urbes da região do Grande Porto, redobrados motivos de alegria e animação.
Os Dragões, já têm habituado por várias vezes os seus adeptos a festejos são-joaninos antecipados. Este ano, têm a agradável companhia do vizinho Leixões. Curiosamente a comemorar cem anos, o histórico emblema da Cruz de Pau com uma prestação muito profissional, competitiva e inteligente foi superior aos adversários, nomeadamente ao Guimarães e ao Rio Ave, na discussão do título da liga de honra. Melhor prenda, não podia ter recebido. Duas legiões de adeptos ímpares no amor e dedicação clubísta têm exteriorizado apaixonadamente esse contentamento, principalmente os matosinhenses que acabam de ver concretizado um sonho que durava há quase duas décadas. Pela mão do treinador filho da terra Vítor Oliveira, "Os Homens do Mar” regressam ao convívio dos "Grandes" um lugar que há muito lhes pertence. A sardinha assada, a broa e a boa pinga dos festejos do Sr. de Matosinhos este ano escorregam e assentam melhor.
Os portistas revalidaram o título que Jesualdo Ferreira alcançou pela primeira vez e marcou o fim da carreira do guarda-redes internacional Vítor Baía. Uma vitória inesperadamente sofrida até quase metade da segunda parte do último jogo. Talvez por isso o extravasar dessas emoções tenha sido a causa principal dos confrontos inqualificáveis e algo violentos entre elementos das claques azuis e brancos. No pximo domingo o estádio do dragão vai ser palco de um Porto-Leixões. Apresentado como encontro de campeões, só o será em pleno se de uma vez por todas, os adeptos das duas colectividades esquecerem rivalidades mesquinhas e finalmente derem as mãos.

quinta-feira, maio 03, 2007

NO DRAGÃO, O ANTES E O DEPOIS "P.C."

Polémico, controverso, de argumentação fácil, objectiva e inteligente, Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa é sem dúvida uma das figuras mais marcantes do dirigismo desportivo português das últimas duas décadas. Odiado por muitos, endeusado por outros tantos, a ninguém é indiferente e não deixa de ser admirado por muitos dos seus adversários.
Num clube com uma história secular, tem de considerar-se o antes e o depois da sua chegada ao emblema do Dragão. Em 1962 como vogal da secção de hóquei em patins, deu inicio a uma carreira que passou por outras modalidades e diversas funções, sempre com um denominador comum, o sucesso. Conhecedor de todos “os cantos “ e actividades do Clube, dedica-lhe as vinte e quatro horas do dia e não tolera que ninguém o moleste ou desrespeite.
Chega à direcção do futebol portista em 1976 na presidência de Américo de Sá e um ano depois conquista a taça de Portugal. Bastaram mais duas épocas para alcançar o tão desejado título nacional, que os azuis e brancos perseguiam há 19 anos. Ao lado, no comando técnico, estava o seu grande amigo José Maria Pedroto.
Abril de 1982 marca a eleição de Pinto da Costa para a presidência do Futebol Clube do Porto e a supremacia em definitivo do emblema mais representativo da Invicta, em relação aos grandes da Capital. Foi um somar impressionante de títulos nacionais europeus e mundiais, que seria fastidioso estar aqui a enumerar. Lembro a conquista de várias taças de Portugal, campeonatos, duas taças da Europa, uma taça UEFA, uma super taça Europeia e duas Intercontinentais. Curiosamente, com vários treinadores, alguns deles chegados ao Clube sem qualquer currículo o que demonstra a grande capacidade de relacionamento do P.C.
No assinalar de um quarto e século como responsável máximo do emblema do Dragão, Pinto da Costa anuncia que vai cumprir o último mandato, a pretexto da construção do pavilhão desportivo, para conclusão da obra ímpar do estádio do Dragão. Atitude correcta, se tivermos em atenção, os sucessivos desvios de carácter social, com a presença no quotidiano da sua vida de pessoas de carácter e comportamento duvidosos. Por outro lado, as inúmeras denúncias de corrupção desportiva, neste particular ainda não provadas, têm-no desgastado física e moralmente.
O futuro a Deus pertence, sendo certo que da família portista vai emergir alguém capaz de dar continuidade ao trabalho do “Papa”. Ninguém é insubstituível, mas neste particular quem suceder a Pinto a Costa não vai ter tarefa fácil.
Parabéns Presidente.

sexta-feira, abril 27, 2007

O MELHOR GOLO DE EUSÉBIO



Vi muitos golos do Eusébio e alguns deles de execução inigualável. Uns caracterizados pela potencia ímpar do seu pontapé, outros fruto de refinada técnica, só o alcance dos predestinados para o futebol.
Na sala de visitas da minha memória guardo momentos finalizadores de rara beleza e extraordinária importância como foram os golos ao Real Madrid, que deram o bis ao Benfica na então Taça dos Clubes Campeões Europeus e a memorável participação com a camisola das quinas, em todo o Mundial de 66 na Inglaterra com particular relevo para a super exibição diante da Coreia.
Parece-me desnecessário e até enfadonho relatar aspectos relativos a carreira do futebolista Eusébio da Silva Ferreira conhecido e idolatrado em todo o Mundo. Faço-o, para homenagear o atleta e cidadão que esta semana teve pela frente um adversário, chamado saúde. Repentista, traiçoeiro e porque na maioria das vezes não o consideramos, torna-se difícil e em alguns confrontos imbatível. Mais uma vez o king teve uma plateia do tamanho do Mundo a incentivá-lo e o resultado só podia ser mais um triunfo do Pantera Negra.
Já deixou o local do jogo muito complicado, o Hospital da Luz, ali bem perto do local onde também levou de vencida outros adversários em jornadas bem menos importantes e decisivas. Daquele que deixou escapar uma lágrima de emoção, quando profissionalmente pela primeira vez o entrevistou no estádio da Luz, já lá vão muitos anos, um grande abraço, restabelecimento total e muitos anos por cá. O Eusébio continua a fazer falta ao futebol português , aos familiares e a milhões de admiradores espalhados pelos cinco continentes.

quarta-feira, março 21, 2007

FILHO DO MARÃO E VIZINHO DE TORGA




A bonita a e laboriosa localidade de Constantim em Vila Real de Trás-os-Montes, paredes-meias com o histórico santuário romano de Panóias, viu nascer a 31 de Outubro de 1979, Simão Pedro Fonseca Sabrosa.
Não foi preciso muito tempo, nem difícil adivinhar, que aquele rapazinho franzino tinha carradas de habilidade para o pontapé na bola e capacidade para altos voos. Na escola Diogo Cão estudou e alargou o seu prestígio futebolístico, chamando a atenção dos olheiros do grande Sporting de Lisboa. Pouco tempo depois, a melhor academia de formação de futebol portuguesa recebia um diamante puro com muitos anos para ser lapidado. O crescimento no clube e nas selecções foi contínuo e progressivo, sem surpresa chegou a titularidade em Alvalade e na Selecção.
O estádio do Bonfim serviu de palco e Israel o adversário da estreia de Simão Sabrosa na equipa principal portuguesa. O magnífico contributo do estreante Simão com apenas dezanove anos, foi decisivo para o triunfo por 2-0. De então para cá continua de pedra e cal nas escolhas para a Selecção Menos positivas foram as duas épocas ao serviço do colosso Barcelona. Inexperiência, juventude e sobretudo falta de apoio desportivo, contribuíram para o semi fracasso no clube catalão onde não é fácil o triunfo. São inúmeros os casos de inadaptação à cidade Condal e principalmente ao emblema azulgrana.
De regresso a Portugal, cometeu a enorme falha de não reconhecer a importância do Sporting na sua formação humana e futebolística. Podia e devia tê-lo feito e descartar a passagem para o Benfica como mera consequência de quem é profissional. O Benfica ri-se de contente o agora capitão é de longe a melhor unidade do emblema da águia. Assiste, finaliza e assume todos os movimentos ofensivos da equipa. Aos 28 anos está no auge das suas capacidades. Tecnicamente quase perfeito, fisicamente mais resistente e robusto, melhorou naturalmente a leitura de jogo e conduta em campo.
Se a saída para o estrangeiro há muito anunciada se concretizar, Simão Sabrosa vai por certo confirmar que é um dos futebolistas mais completos do futebol europeu e que a saída para o Barcelona em 99, foi mais um precipitado erro de gestão dos responsáveis do Sporting.