quinta-feira, janeiro 25, 2007

THE KING


Esta designação inglesa ajusta-se perfeitamente ao nosso Eusébio.
Na já distante tarde britânica de 23 de Julho de 1966 todo o mundo viu, mas particularmente os Súbditos de Sua Majestade, tiveram oportunidade de assistir de perto a um dos maiores momentos de glória do futebol e do futebolista Eusébio. Decorria no Mundial de Inglaterra o apuramento para as meias-finais e Portugal mercê de um bom começo, era naturalmente super favorito diante da Coreia do Norte. Só que os Asiáticos não estavam pelos ajustes e entraram praticamente a ganhar por 3-0. Na equipa portuguesa, ninguém se entendia. Olhares incrédulos diante daqueles desconhecidos esguios, velozes, de olhos rasgados, que por três vezes tinham obrigado o José Pereira a ir ao fundo da baliza. Só alguém com poder sobrenatural, podia salvar a equipa das quinas de tamanho desnorte e como por milagre, começou a emergir um homem que curiosamente mostrava nas costas o número (13 treze.)
Nunca um jogador teve tanta influência técnica, física e psíquica num jogo de futebol. Para lá dos três golos que marcou, da participação directa em outros dois que viraram o resultado para 5-3, “rebentou” fisicamente toda a estrutura defensiva dos coreanos. No relvado e nas bancadas ficou a certeza de que ao livro dourado do futebol mundial havia sido acrescentada mais uma página pelo português Eusébio da Silva Ferreira.
Génio entre os futebolistas geniais de todos os tempos, por mérito próprio a fazer parte do lote de predestinados; Garrincha, Di Stefano ou Pelé. Outras proezas podiam ser referidas como por exemplo, na final europeia de 62 em Amesterdão com apenas 20 anos foi a estrela maior. Dois golos no confronto com o Real Madrid dos monstros sagrados e seus ídolos - Puskas, Di Stefano, Gento e …Companhia.
Duas bolas de ouro, sete vezes o melhor marcador nacional mais de trezentos golos marcados, vestiu a camisola de Portugal em sessenta e quatro ocasiões. São algumas referências curriculares deste cidadão do Mundo que viu pela primeira vez a luz do dia num bairro pobre de Mafalala ex. Lourenço Marques, agora Maputo -Moçambique.
Enorme entre os portugueses mais notáveis, foi considerado "património nacional"e impedido pelos governantes de então, de chegar a multimilionário no futebol italiano. Embaixador do futebol português, acompanha por todo o Mundo o seu Benfica e a Selecção Nacional. Para exemplo e estímulo dos mais novos ainda vai fazê-lo por muitos mais anos. Afinal este jovem, só agora cumpriu 65 Primaveras.

Parabéns...PANTERA NEGRA. .

terça-feira, janeiro 23, 2007

MAIS VALE TARDE…



No desempenho das suas profissões valorizam a união e aprendem muito cedo a lutar por objectivos comuns. Refiro-me aos atletas de desportos colectivos particularmente aos futebolistas, até agora estranhamente individualistas, para não dizer egoístas, na defesa dos interesses da classe.
Vem esta breve introdução a propósito das reuniões que o sindicato dos profissionais de futebol está a promover com os jogadores. Primeiro em Lisboa com os capitães de equipa do Benfica, Sporting e representantes dos outros clubes lisboetas, do Sul e Ilhas. Depois em Coimbra com os profissionais dos clubes das regiões do Norte e do Centro.
Destes encontros vai sair uma comissão conjunta, que terá como funções defender os interesses da classe junto das entidades reguladoras.
Em análise como referem, estão os problemas dos profissionais de futebol e não o futebol profissional.
Joaquim Evangelista presidente do sindicato, tem sido incansável na sensibilização da classe para os problemas que cada vez mais se colocam aos futebolistas, principalmente na defesa daqueles que exercem a sua actividade em clubes mais modestos ou embarcam em projectos megalómanos normalmente condenados ao fracasso e consequente desemprego ou salários em atraso.
As medidas de politica fiscal que o governo tem vindo a por em prática com a contabilidade dos clubes a ser passada a "pente fino" e a tributação de I.R.S. que neste ano fiscal já coloca os profissionais de futebol ao nível dos cidadãos de outras profissões, fez soar o alarme para a mobilização geral e o despertar para a nova realidade.
A assistência e acompanhamento médico depois do final da carreira, a criação de um fundo de pensões e a reivindicação de outras matérias tendo em conta especificidade da profissão, fazem parte do caderno de propostas dos futebolistas profissionais.
O êxito deste movimento agora bem representado e por isso com mais capacidade reivindicativa que se apresenta sob o lema "O FUTEBOL SOMOS NÓS", depende do empenhamento e solidariedade das figuras mais mediáticas.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

LEIXÕES-ACADÉMICA… ATÉ BREVE.



Leixões e Académica, reviveram no Estádio do Mar duelos antigos, dos mais interessantes do futebol português. O jogo foi para a Taça de Portugal, onde curiosamente os dois emblemas têm grandes pergaminhos. Vi, e só não gostei do resultado,- dois a um para a equipa de Coimbra.
O espectáculo filmado, relatado e escrito por toda a comunicação social, foi agradável, emotivo, com muito público e incerteza até final. Os matosinhenses entraram receosos, desconcentrados e os estudantes super eficazes no contra golpe, duas idas à baliza contrária e outros tantos golos. O verdadeiro Leixões apareceu no segundo tempo e só não levou a partida para o prolongamento por manifesta infelicidade.
Por antecipação, estou em crer que estes dois emblemas vão cruzar-se na próxima época na liga principal do futebol português. A formação do professor Manuel Machado mostra muito equilíbrio, boa ligação entre sectores e possui uma mescla bem conseguída de experiência e juventude. Vai por certo conseguir a manutenção. O Leixões virou para a segunda volta, a liderar a divisão de honra e parece bem encaminhado para regressar ao escalão principal.
Já leva uma vantagem preciosa sobre dois concorrentes com justificadas ambições, o Guimarães que tarda em estabilizar e o Gil Vicente muito penalizado na classificação por razões sobejamente conhecidas.
Vítor Oliveira o treinador campeão das "subidas", o clube do Mondego faz parte dessa lista, vai ser determinante na hora das grandes pressões e decisões.
De resto, quem tem um suporte de associados tão disponíveis e vibrantes como o Leixões , não pode recear voos mais altos.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

À MOLHADA, NÃO.




Reconheço, aplaudo e dou os parabéns à RTP pela feliz iniciativa do programa” Os Grandes Portugueses”. Para além do mais é uma forma de dar a conhecer aos mais novos uma centena de personalidades ilustres e marcantes da nossa História. Foi mais uma boa importação das televisões de outros países que cai como sopa em mel, se atendermos a que o ensino e interpretação da nossa História andam pelas ruas da amargura. Entretanto, este programa tem aspectos que me merecem fortes reparos e total discordância. Desde logo, juntar na mesma escolha a propor à votação do público, personalidades de áreas e épocas completamente diferentes. Camões versus Rosa Mota, Marquês de Pombal com Fernando Pessoa, D. Afonso Henriques e Eusebio. Não seria mais lógico e verdadeiro escolher por actividades? Não é por acaso que na escolha das primeiras dez personalidades não constam mulheres, a Amália aparece em décimo quarto lugar e Florbela Espanca na trigésima quarta posição. Sem querer beliscar o valor dos dez mais votados, houve escolhas perfeitamente orquestradas. Não é justo que Álvaro Cunhal esteja entre os dez primeiros e que por exemplo, Mário Soares apareça em décimo quarto e Francisco Sá Carneiro em décimo sexto, isto para compararmos políticos mais ou menos contemporâneos. Já não falo do esquecimento a que foi votado Camilo Castelo Branco, Moniz Pereira, Teófilo Braga, Fernando Pessa, o cronista Fernão Lopes ou Palmira Bastos, são alguns casos de ingratidão dos portugueses que votaram.
Reparem, figuram na lista dos mais votados, nomes como o de Maria do Carmo Seabra. Sabem quem é? Eu também não. A muito custo descobri que foi ministra da educação no governo de Santana Lopes; e que dizer dos votos na jovem promessa de actor Hélio Pestana de “morangos com açúcar”, – é preciso ter lata…
Não há bela sem senão. Volto a frisar a ideia é excelente e pode ser o pontapé de saída para chutar de vez os “enlatados” das programações televisivas. A condução do programa com a Maria Elisa só podia ser excelente. Alguns convidados por serem de áreas diferentes deviam ficar em casa no sofá… Aí esta feira de vaidades.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

DE VOLTA


Está de regresso “ a liga bwin” que raio de nome. Voltou, após merecidas pois então, férias de Natal.
Pela parte que me toca, não senti nem uma ponta de saudade. “Os malandros” futebolistas da liga inglesa encarregaram-se de me deliciar com soberbos manjares de futebol competitivo, técnica e golos.
As coisas são como são e cada País tem o futebol que merece. No tocante ao português, infestado de escândalos, suspeição e corrupção dá cada vez mais protagonismo a gente marginal que o aproveita para se promover.
Mas, vamos ao que interessa. A ronda catorze pode trazer muitas surpresas, em alta competição o tempo da paragem natalícia foi uma eternidade agravada com os exageros alimentares próprios da quadra.
Se calhar por isso, mas acima de tudo devido a excessiva sobranceria com que abordaram o adversário, o Porto já disse adeus á Taça de Portugal diante do Atlético em pleno Dragão. O velhinho emblema da Tapadinha, antecipou o Santo António no bairro de Alcântara.
Taça é taça para os portistas foi um desastre, que não querem ver repetido no campeonato onde lideram com a confortável vantagem de cinco pontos para o Sporting, oito sobre o Benfica e treze sobre o Braga.
Esta ronda não vai ser pêra doce para o quarteto da liderança. Os azuis e brancos vão à Vila das Aves, deslocação que tem tanto de curta como difícil. Que reacção vai ter o grupo de trabalho de Josualdo Ferreira, depois do desaire da Taça é uma incógnita diante dos minhotos que fizeram duas boas aquisições, o guarda-redes Nuno ex. portista e o “ maestro” Ricardo Nascimento.
O Sporting tem no Restelo um Belenenses super motivado com os últimos resultados, o velho derby da capital pode resultar num excelente espectáculo. O Benfica começou o ano a facturar, afastou da Taça o Oliveira do Bairro e deu um salto ao Dubai. Ganhou prestígio ao vencer o Bayern e a Lázio e mais de um milhão de “petroeuros”.
O Braga tem deslocação longa e complicada. O Nacional na Choupana não costuma facilitar.
Para pessoal “da bola” um bom 2007. Portem-se mal.

quarta-feira, janeiro 10, 2007


FALSA QUESTÃO




A tributação de IRS a aplicar aos atletas profissionais de futebol não é um assunto novo. Em 2003 no governo de Durão Barroso com Bagão Félix na pasta das finanças, foi legislado que os profissionais de futebol até então taxados a 50%, iriam ver gradualmente agravados os descontos até atingirem a totalidade – o que se vai verificar neste ano fiscal.
Tema para todas as conversas por mexer com figuras populares, motiva por isso mesmo todo o tipo de análises, soluções e muita especulação, mas só acontece por desconhecimento da lei, já publicada em Diário da República. Parece-me, que o que mais preocupa os futebolistas profissionais principalmente os das grandes equipas é a tributação ser alargada aos valores auferidos com direitos de imagem, publicidade e prémios de jogo. Sobre esta matéria, penso não haver dúvidas da dureza e riscos físicos da profissão de futebolista e da duração das suas carreiras ao mais alto nível competitivo; sendo também certo de que há outras profissões e actividades exigentes e de duração curta, com o agravante de os salários serem muitíssimo mais baixos.
Neste contexto, os profissionais em causa, através dos seus sindicatos deviam pugnar junto do Governo no sentido de conseguirem legislação que apoiasse e beneficiasse os incentivos à poupança, tendo como objectivo salvaguardar o futuro de muitos milhares dos profissionais de futebol e não só, que recebem salários mais baixos quantas vezes tarde e a más horas.
"Está vida muito difícil" para todos e o futebol é das primeiras actividades a reflectir os efeitos da crise económica. A indústria do futebol como lhe chamam, já há muito deu mostras de não estar a passar por um bom momento em parte por outras razões. Basta quantificar o número de grandes e históricas colectividades que ficaram pelo caminho e das assimetrías entre o futebol do interior e do litoral do País. Os clubes devem enveredar por projectos bem alicerçados e não embarcar em ideias levianas de uns quantos falsos mecenas oportunistas.
Julgo também, que é urgente reflectir sobre o estatuto de atleta profissional. Será que todos têm condições para o ser? Deixar de estudar ou de aprender outras profissões a troco de um futuro incerto, parece-me extremamente arriscado. A conciliação é possível e a Académica de Coimbra já foi um bom exemplo. É que para o “mundo” dos Figos, Decos, Maldinis e Ronaldos "o visto" é cada vez mais exigente.