domingo, julho 30, 2006

Um Verão desportivo igual aos outros


Propositadamente não escrevo nesta minha página há alguns dias. Olho à volta, leio os jornais, oiço a rádio e vejo a televisão e não vislumbro motivos de cariz desportivo que me motivem interesse. Infelizmente noutras áreas bem mais importantes para o dia a dia de todos nós, há-os de sobra. A propósito, quando será que o Homem ganha juízo? Israel, Líbano, América e outros, tenham vergonha.
Voltando à relva onde já há bolinha mas em fase de experiências e acerto de planteis, nos bastidores continua a dança das transferências com a máxima de Pimenta Machado “ o que é verdade hoje amanhã é mentira” cada vez mais actual. O folhetim Simão Sabrosa, ilustra bem.
Em alta esteve o Sporting no algarvio torneio do Guadiana ao vencer o Benfica e o Desportivo da Corunha. Os leões podem fazer uma boa época têm gente jovem de qualidade e a aquisição do experiente Carlos Paredes foi cirúrgica. No mesmo triangular o Benfica esteve mal e tem de dar à perna porque a eliminatória de acesso à Liga dos Campeões está à porta.
O Porto regressou do estágio na Holanda, com as mesmas virtudes e defeitos. Mais pobre porque deixou sair Benny McCarthy e Hugo Almeida e não colmatou essas baixas. O amigável Porto – Roma que acabei de ver, reforça tudo o que acabei de dizer sobre os campeões nacionais. Os Dragões vão mostrar as mesmas virtudes e os mesmos defeitos da época passada. Os outros emblemas com mais ou menos endividamento lá vão levando a água ao moinho, falta saber até quando.
De resto continua “ a bagunça “ nos órgãos de decisão do futebol português, de que é exemplo o casam Mateus.
Para o fim deixei a nota mais saborosa. A vitória de Emmanuel Silva, bicampeão europeu de sub 23 em K1. Foi em Atenas na Grécia, onde a canoagem portuguesa de novo em boas águas, está a ter excelente prestação. O "Puto" de Merelim, é sem dúvida o sucessor de José Garcia. Curiosamente, o ex-campeão é o actual vice-presidente da Federação. Brevemente voltaremos a falar de Kayaks, Pagaias e Canoístas.

quarta-feira, julho 19, 2006

DESPORTO NO PAÍS DO FAZ DE CONTA



Confesso que pela primeira vez que me sinto completamente alheado e pouco ansioso em relação à nova época do futebol português. A dança das transferências, os reforços das equipas e o nervoso miudinho relativo às expectativas da nova temporada, têm – me passado ao lado. Já dei comigo a pensar se este distanciamento não é motivado pelos muitos futebóis do Mundial que vi durante o último mês. Sinceramente não me pareceu ser essa a razão. Será a facilidade de acesso via TV, aos outros campeonatos mais ricos e naturalmente mais competitivos que me está a fazer perder essa paixão? Depois de muito meditar, descobri que o meu desencanto, tem a ver com as muitas situações confusas e pouco dignificantes, que em todos os finais de época entram no nosso futebol como faca quente em manteiga.
O caso Mateus começou a fazer correr tinta logo após as decisões dos campeonatos e já originou o corte de relações entre os azuis de Belém e os de Barcelos. Perante tanta inoperância dos órgãos jurídicos da Federação e da Liga de Clubes ainda ninguém sabe quem fica ou quem baixa de divisão e a preparação das equipas já começou. Para os outros clubes é uma questão de pormenor, mas para as direcções dos emblemas em causa o problema complica-se atendendo às exigências dos planteis para cada um dos escalões. Não tenho capacidade para opinar sobre esta matéria e muito menos, de que lado está a razão. Só lamento a incapacidade de quem tem obrigação de julgar em tempo minimamente aceitável, ao que parece uma simples má inscrição. Ponham os olhos no Cálcio e na forma drástica como despromoveram clubes históricos, por corrupção e falsificação de resultados. A sentença só foi conhecida há dias porque a Squadra Azzurra estava a competir na Alemanha no Campeonato do Mundo que acabou por conquistar. Pergunto, se o caso”Apito Dourado fosse investigado e julgado em Itália, demoraria tanto tempo e ficaria assim? É por estas e por tantas outras situações estranhas, que o futebol português me desencanta cada vez mais.
Vai-me valendo o “Tour” e os relatos competentes dos meus amigos João Pedro Mendonça e o Marco Chagas todos os dias na RTPN. A propósito, sabiam que os organizadores da corrida de bicicletas mais importante do Planeta decidiram num piscar de olhos mandar para casa Jan Ulrich, Ivan Basso e mais algumas dezenas de corredores “top” por questões relacionadas com o doping?
Pois é, continuamos a ser um País de brandos costumes, onde depois de amanhã também é dia.

terça-feira, julho 11, 2006

MUNDIAL, NO LAVAR DOS CESTOS.


Caiu o pano sobre mais um mundial de futebol e como sempre, glória aos vencedores e honra aos vencidos. Desde logo à Itália, a passar por graves problemas internos de corrupção, fala-se na despromoção de alguns históricos do Cálcio, mesmo assim, o professor Marcello Lippi, soube conduzir os seus homens ao triunfo final. Felicitações também para a organização do evento, liderada por um grande senhor do futebol mundial Franz Beckenbauer. Como era de esperar, a máquina alemã funcionou em pleno e parece não terem existido falhas. Pelo menos, ainda não ouvi qualquer reparo.
Voltando ao aspecto desportivo, no que concerne à discussão dos lugares do pódio, a vitória italiana para mim não foi surpresa. Disse-o desde o início, que os transalpinos estavam defensivamente fortes como é normal e muito rápidos e directos nas acções ofensivas, para além de um porte atlético e condição física invejáveis. A Itália acrescenta mais uma estrela ao seu palmarés mundial.
A França, muito por culpa do seu principal responsável Raymond Domenech, acabou por ganhar a antipatia de quase todo a gente. A forma como apelidou os adversários, por exemplo os portugueses, de fiteiros, foi miserável. Este senhor com trabalho feito do futebol jovem francês, esteve mal. A França qualificou-se com dificuldades e repetiu o mau desempenho na fase de grupos. O triunfo sobre a feira de vaidades brasileira deu-lhe alguma confiança, mas no confronto com Portugal teve a sorte do jogo pelo seu lado. Pela boca morre o peixe monsieur Domenech, Robert Pires e Giully entre outros, devem estar a rir-se das suas escolhas. Se calhar, com alguma razão.
A Alemanha fez uma boa prova foi a medalha de bronze, mas acima de tudo reconquistou o público, é uma equipa jovem com um futuro muito promissor. Portugal, fez um excelente quarto lugar, no historial do futebol português, só superado pelos Magriços no Inglaterra de 1966. No regresso a selecção foi recebida em apoteose por muitos milhares de portugueses.
Para fecho deste rescaldo sobre o mundial da Alemanha, a tristeza por ver deixarem de defender o emblema dos seus países, figuras enormes do desporto-rei: - os nossos Figo e Pauleta e outros como Oliver Khan, Roberto Carlos e…Zidane. Que terá levado o grande futebolista francês a perder o controlo, agressão à cabeçada a Materazzi, na mais do que certa provocação do defesa italiano. Expulso nos minutos finais de uma carreira ímpar. O destino foi cruel de mais para "Zizou". Mesmo assim, sem culpa nenhuma, viu-se considerado o melhor jogador do Mundial. Que fair play, que critérios… Srs. da intocável FIFA? Tenham vergonha.

quinta-feira, julho 06, 2006

CAIR DE PÉ.


Vitórias morais, queixas dos árbitros e … SES, - não fazem parte da minha análise a jogos de futebol, onde normal e quase sempre, ganha quem interpreta e melhor põe em prática a filosofia do jogo. Ou seja, por exemplo, quem tem mais tempo de posse de bola, nem sempre sai vencedor. Hoje, por variados motivos, principalmente pelo discurso perfeitamente incoerente, perigoso por agitar os adeptos e antipático seleccionador francês Raymond Domenech vou abrir uma excepção.
Vem isto a propósito do jogo Portugal-França, relativo às meias-finais do mundial de futebol. Figo e companhia perderam por 1-0 diante de Zidane e “ Ses Amis” numa partida em que os portugueses nunca foram inferiores, bem pelo contrário. Os últimos vinte minutos decorreram perto da baliza de Barthez e só por manifesta infelicidade o capitão português não levou o jogo pelo menos a prolongamento. Podia falar de uma grande penalidade sobre Cristiano Ronaldo, da forma habilidosa como o árbitro”inclinou” o campo para a baliza do Ricardo ao fazer vista grossa a algumas entradas gaulesas enfim. Ai FIFA,FIFA. Para a história fica o penalti bem arrancado por Henry e transformado por Zidane. Para recordar fica também, a personalidade, o desportivismo e o querer dos Tugas a quem pertenceram os melhores nacos de futebol vistos no Allianz Arena de Munique. Perante tanta cobardia futebolística dos "BLUES" do monsieur Domenech, que no jogo anterior até tinham feito gato-sapato dos campeões do Mundo, quase senti que a meia-final do Euro 2000, estava vingada.
A Itália e a França vão discutir o título. Eu escrevi neste blogg na primeira vez que os vi jogar contra o Gana, que os italianos do professor Marcello Lippi, estavam diferentes para melhor. Insuperáveis na defesa,tacticamente calculistas com sempre e agora mais rápidos e directos na abordagem à baliza adversária. Venceram a anfitriã Alemanha por 2-0, sem qualquer contestação e de doze em doze anos, lá temos a BELA ITÁLIA na final do campeonato do Mundo. Foi em 70 no México, em 82 na Espanha, em 94 nos Estados Unidos e agora na Alemanha.
Se não é tradição, chamem-lhe o que quiserem.

terça-feira, julho 04, 2006

Chora Brasil


Os Campeões do Mundo disseram adeus à Alemanha e deixaram o povo brasileiro em estado de choque, revolta e frustração totais. Os carrascos tal como há oito anos, foram os franceses e mais uma vez, Zinedine Zidadne liderou as operações. No estádio de Frankfurt, foi vivida mais uma página negra do futebol brasileiro. Uma derrota e consequente afastamento podem servir de lição a quem por vezes não foi humilde, monesprezou os adversários e valorizou os aspectos individuais em detrimento do colectivo. Já dizia o meu amigo Pedroto: -Num jogo de futebol só há uma bola, quem tem pernas e pulmão é que brinca com ela.
As hostilidades das meias finais do Mundial 2006, abrem com o Alemanha – Itália. Nos quartos, os Alemães venceram os Argentinos na decisão dos pontapés da marca de grande penalidade. Os anfitriões foram mais eficazes. Na Mannschaft comandada por Jurgen Klinsmann e Ballacck há gente capaz de chegar à final. Tem a palavra a sempre difícil e matreira Itália. Para este confronto, Buffon, Gattuso e Luca Toni, apresentam-se mais frescos.
E Portugal? Lá vai ultrapassando com mais ou menos dificuldades, os obstáculos inerentes a uma competição com as características de um campeonato do Mundo. Desta feita, deixou para trás a Inglaterra e de novo na transformação de pontapés da marca de grande penalidade. O guarda redes Ricardo voltou a brilhar nos pontapés da marca de onze metros, desta vez não marcou mas defendeu três. Sem Deco e Costinha de fora por castigo, os portugueses controlaram o jogo e na hora das grandes decisões mostrarem ter melhor preparação fisica e mental. Agora temos de novo pela frente os franceses. Será que agora vamos vingar os “nossos irmãos “ brasileiros? Antes de mais vamos pensar em equilibrar a balança dos confrontos luso-franceses, muito torta para o lado dos - Enfants de La Patrie- e se possível, rectificar a derrota por 2-1 em 28 de Junho de 2000, a contar para o Campeonato da Europa. Deco e Costinha de novo regressados à equipa, podem fazer a diferença.


PS. Depois de ter produzido este apontamento tomei conhecimento da vitória da Itália por 2-0, à Alemanha.