quarta-feira, fevereiro 28, 2007

COISA FEIA


Jaime Pacheco e José Mourinho dois grandes senhores do futebol, não o foram ao protagonizaram uma feia, deselegante e desnecessária troca de agressões verbais. Quando se atinge o patamar de campeão e figura pública, é necessário, importante e pedagógico, como diz o grande humorista brasileiro Jô Soares, medir as palavras e os comportamentos. Foi o que não fizeram Mourinho e Pacheco. Autocarro à frente da baliza, só tem um neurónio e em mau estado, doente mental, foram alguns dos “mimos” de uma conversa de chocha, imprópria de homens com responsabilidades desportivas e sociais.
Conheço-os pessoalmente desde jovens. São dois homens do futebol com personalidades e percursos diferentes, mas acima de tudo excelentes seres humanos. O de Lordelo-Paredes, com uma capacidade física, técnica e paixão pelo futebol invulgares, levaram-no a uma carreira brilhante no Porto no Sporting e na Selecção. Mais tarde como técnico, conseguiu a proeza única de conduzir o Boavista ao título nacional e a uma interessante prestação nas competições europeias.
O de Setúbal, filho de Félix Mourinho, um grande Homem, simples, reservado e excelente guarda-redes internacional, desde muito cedo conviveu de perto com o futebol sem deixa de cuidar da carreira académica. Adjunto de Bobby Robson em grandes emblemas como o Sporting, o Porto, Barcelona e mais tarde de Van Gaal, adquiriu conhecimentos e experiência que o embalaram para uma carreira de sucesso nos azuis do Dragão e agora no Chelsea. Época após época, José Mourinho soma títulos e prestígio, sendo já considerado um dos treinadores mais pretendidos do Mundo. Por vezes arrogante e nem sempre coerente, o que diria se os jogadores do Porto fizessem ao Shevchenko, Drogba e companhia, o anti jogo que o Diarra e o Essien praticara sobre o Quaresma ou se o Porto jogasse o último quarto de hora em postura super defensiva como o fizeram as estrelas do mãos largas Abramovich. Também não foi feliz, ao dizer que desta vez vinha ao Dragão jogar a sério. Como diz o ditado pela boca morre o peixe e é vida difícil para os treinadores quando a bola bate nos ferros ou os árbitros se enganam, num abrir e fechar de olhos passam de bestiais a bestas.
As equipas de Pacheco não jogam bonito? Há pouca inspiração e muita transpiração? Têm muitos bombos e poucos solistas? É verdade. E a multimilionária constelação de estrelas do Londrino Chelsea é um modelo de bem jogar? Ninguém é perfeito, naturalmente que estes dois homens que por direitos próprios já figuram na história do nosso futebol também o não são.
Pela amizade e respeito que ambos me merecem, faço votos para que alguém os junte de preferência com os pés debaixo da mesa acompanhados por uma boa “pomada” da bela região de Setúbal que sentimentalmente os liga. Ah… se puderem não se esqueçam de chamar o “Faraó” Manuel José super campeão do Egipto e África. O futebol português agradece.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

VIVA A TAÇA

A segunda prova mais importante dos calendários futebolísticos, produz "estórias” carregadas de emoção e surpresa, principalmente quando as eliminatórias são resolvidas num só jogo. Sem necessidade de puxar o filme muito atrás, por exemplo à época dos quase imbatíveis cinco violinos,que não conseguíram evitar o desaire do Sporting diante do Tirsense. A conquista da Taça pelo Leixões nas Antas frente ao Porto em 61,numa tarde memorável para o saudoso Osvaldo Silva. Ou em 81 com o até então desconhecido Cabeça Gorda da bela cidade alentejana de Beja, a saltar para as primeiras páginas ao despachar o Penafiel da primeira divisão comandado pelo então treinador-jogador António Oliveira.
Mais recentes, lembro outras proezas por exemplo em 99, a queda em pleno estádio das Antas do Futebol Clube do Porto diante do Torriense que por pouco não fez “rolar” a cabeça do quase a seguir engenheiro do "penta" Fernando Santos, ou a proeza do Gondomar que em 2002 em pleno “ninho da águia” mandou o Benfica pela borda fora.
A edição deste ano não está a deixar créditos por mãos alheias. Que o digam “os Dragões” arrumados dentro de portas pelo velhinho e carismático Atlético num reencontro que trouxe à memória jornadas de enorme saudade. Na Póvoa, o Benfica foi vitima diante do Varzim que durante noventa minutos, esteve ao nível dos tempos em que ir ao reduto poveiro era sinónimo de tormenta. Mais abaixo na Figueira da Foz também com o mar por perto Bragança último da série A da segunda divisão, desceu ao imoral e esqueceu por uma tarde o quotidiano de inúmeras carências, fez Taça diante da Naval uma das sensações da primeira liga. Apetece perguntar que segredo envolve a prova rainha do nosso futebol pródiga em criar “Davides”e a trazer à ribalta colectividades de que nunca tínhamos ouvido falar? Será só desconcentração, menor empenho, menosprezo ou complexo de superioridade a que os analistas costumam deitar mão para justificarem a queda dos mais fortes? Para mim, há um de tudo um pouco e também feitiço e magia indispensáveis a todas as festas.
Sporting-Académica, Beira Mar-Boavista, Braga-Varzim e Bragança-Belenenses, são os sobreviventes acasalados por esta ordem e candidatos a receber das mãos do Presidente da República o belo e magnificamente trabalhado, troféu de prata. Os estudantes, que em 39 ganharam a primeira edição da prova 4-3 diante do Benfica, ainda continuam na corrida.
Glória aos vencedores, Honra aos vencidos.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007


FUTURO SEM LIMITES


Acaba de completar vinte e dois anos de idade e é já uma das principais figuras do futebol mundial. O que mais impressiona neste homem com cara de menino é a facilidade com que ultrapassa obstáculos, atinge metas e soma êxitos numa carreira que ainda agora está no começo. O primeiro sinal dessa maturidade precoce aconteceu com apenas doze anos quando deixou a bela e pacata Funchal e enfrentou as virtudes e defeitos de uma grande cidade como Lisboa. Falo do Cristiano Ronaldo baptizado com este nome fruto da grande admiração do seu pai, pelo antigo presidente dos EUA Ronald Reagan. Curiosamente, juntou-se a dois futebolistas com o mesmo nome que já foram considerados os melhores do Mundo. Estou em crer, que “o nosso” Ronaldo não vai tardar muito a seguir-lhes as pisadas.
Andorinha, Nacional, Sporting e desde 2003/2004 o Manchester United e por complemento a Selecção são os emblemas até agora defendidos por Cristiano Ronaldo cada dia que passa cada vez mais maduro como homem, genial como futebolista e por isso cobiçado pelos mais poderosos do futebol. Um crescimento sempre sustentado por gente competente desde o mestre Aurélio Pereira nas escolas do Sporting a Carlos Queiroz, Alex Ferguson e Scolari. Com a saída de Luis Figo, Cristiano Ronaldo assume com toda a naturalidade e mérito o comando da Selecção e no último jogo frente ao Brasil em Londres, foi-lhe confiada a nobre função de a capitanear, segundo Luis Filipe Scolari cumprindo um último desejo do recentemente falecido vice presidente da Federação Carlos Silva. Deste modo tornou-se no capitão da equipa nacional mais jovem do futebol português batendo por mais de um ano de diferença o central Humberto Coelho.
Cristiano Ronaldo o espelho do futebol do século XXI, improvisado, veloz, alegre e artístico sem deixar de ser objectivo. Aos vinte e dois anos tem ainda uma enormíssima margem de crescimento. Personalizado, diz o que pensa sem recear situações ou ambientes, actua num dos melhores e mais bem organizados clubes do Mundo e integra uma selecção recheada de juventude e talentos. Tudo se conjuga para que em breve, nos orgulhemos de ter novamente o melhor jogador do planeta.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

O REBELDE, GENIAL.



Ricardo Andrade Quaresma Bernardo, para o mundo do futebol simplesmente Quaresma, é seguramente um dos futebolistas mais dotados do futebol português e ao nível do melhor que há noutros campeonatos. Produto da inigualável escola do Sporting, pode perfeitamente ombrear com outras grandes "estrelas" como Futre, Simão Sabrosa, Luis Figo ou Cristiano Ronaldo, também eles oriundos da “cantera” dos Leões. Lançado muito cedo com apenas vinte anos, na alta-roda do futebol europeu, não encontrou em Barcelona o suporte ideal para o completo crescimento humano e desportivo. Há exemplos de outras passagens mais ou menos frustrantes pelo campeão de Espanha, pouco dado a facultar esse tipo de muleta, aos mais jovens e muito menos quando são estrangeiros. Que o diga o Simão Sabrosa, também "vitima" dessa experiência.
Em contraponto, é exemplar a forma como Alex Fergusson e Carlos Queiroz aconselham e protegem os seus jovens talentos. Esse amadurecimento incompleto, é talvez uma das razões que levava o “cigano” dos Dragões a comportamentos exibicionais intermitentes e inseguros. Empolgante e imparável com um reportório técnico inesgotável, alterna com fases de alheamento ao jogo, caindo por vezes infantilmente em comportamentos antidesportivos.
A vinda do professor Jesualdo Ferreira para o comando dos azuis e brancos, um técnico com larga experiência na formação, pode ser a última oportunidade para o ”Harry Potter” subir ao patamar dos futebolistas de eleição, onde já se encontra o seu companheiro de percurso Cristiano Ronaldo, aos vinte e três anos ainda vai muito a tempo.
O casamento a nível humano, social e desportivo parece perfeito. Foi considerado o melhor futebolista da primeira liga e mereceu de novo a confiança do seleccionador nacional.
Estou em crer que a expulsão em Leiria na última jornada em Leiria onde efectuava mais uma excelente exibição, foi só um acidente de percurso do "novo" Quaresma. Dessa atitude irreflectida e lamentável para com o Tixier, apesar de existirem contas antigas, saíram prejudicados o atleta e o emblema que defende. Comportamentos de imediato divulgados para todo o Mundo, deixam marcas profundas quantas vezes irreparáveis.
Os Maldinis e os Figos, são alguns exemplos pela positiva. Não vão ficar na história do futebol só por serem” óptimos de bola”.