DRAGÃO EM CHAMAS
Está agitado o ambiente na família portista. A cor das relações entre dirigentes, equipa de futebol e associados passou do azul quase celeste parecido com o das camisolas, para tons de azul muito…muito escuro a prenunciar tempestade. Como sempre, as vitórias determinam o ambiente nos clubes principalmente nos mais poderosos e naturalmente mais ambiciosos, neste particular o Futebol Clube do Porto não foge à regra. A passagem do troféu nacional de futebol para o emblema da águia e a participação pouco conseguida na defesa do título de campeão da Europa de clubes, com a quase caricata contratação de três técnicos na mesma época, deram início a um clima de desconfiança e contestação da massa associativa. Esta época, apesar da vantagem de quatro pontos sobre o rival mais directo o Benfica, o clima à volta da equipa
não melhorou. As ideias e decisões do novo treinador o holandês Co Adriaanse, não caíram no goto dos adeptos. Começou com o controverso afastamento do "capitão" Jorge Costa no início da época e recentemente com a despromoção pouco oportuna de Vítor Baía a suplente … outro histórico do balneário portista. O fraco registo exibicional da equipa sem comando em campo, alterada em cada jogo, deficiente a defender e previsível na procura da baliza adversária, têm contribuído para o divórcio cada vez mais profundo. Que saudades sentem os portistas, daquela equipa que há apenas duas épocas brilhava na Europa e no Mundo.
Na última jornada, o não aproveitamento por inteiro do deslize dos encarnados no derby da capital foi a gota de água. O empate dos azuis e brancos frente ao Rio Ave, sem golos e mal jogado fez perder a cabeça a uns quantos adeptos mais exaltados. O treinador Co Adriaanse, alguns dirigentes e mesmo o presidente Pinto da Costa, não escaparam aos insultos num fim de noite de domingo pouco pacífico em Vila do Conde. Mais tarde no Centro de treino do Olival em Vila Nova de Gaia, aconteceu bem pior com tentativas de agressão ao técnico holandês e danos consideráveis na sua viatura. Atitudes inqualificáveis, de todo inadmissíveis repudiadas por quem de bom-senso. As acusações surgiram de imediato dirigidas em particular à claque dos Super Dragões. O apuramento da verdade não deve ser difícil, há imagens captadas pelas câmaras da segurança. Para a SAD do Porto não há dúvidas, já retirou todo o apoio à claque, transportes e obtenção de ingressos por isso, o ambiente está agora ainda mais tenso.
Os Super Dragões dizem-se inocentes e já anunciaram que vão estar em peso no próximo jogo com o sempre difícil Sporting de Braga, o ambiente no estádio do Dragão perspectiva-se de alto risco, acrescido pelo facto de o Nacional da Madeira e o Benfica terem perdido em Alvalade e em Leiria, respectivamente.
A família portista impar na paixão pelo seu emblema passa por uma fase agitada, a exemplo de outras já vividas há alguns anos. Necessita urgentemente de olhos nos olhos sem pressões ou medos, discutir abertamente a orientação e gestão do Clube. Há aspectos pouco claros, desde logo como se desfez de uma equipa campeã da Europa e do Mundo em menos de dois anos, sendo público que a saúde financeira da colectividade não é das melhores. Duvidas, acusações e boatos só servem para dividir, nuncam foram solução.
O emblema mais representativo do futebol português nas últimas duas décadas, deve dar o exemplo de conduta cívica e desportiva dentro e fora das quatro linhas. Violência, basta estar minimamente atento ao que se passa à nossa volta, para concluir que já demos para esse peditório.