sábado, fevereiro 25, 2006

O Futebol é como o azeite


O futebol, cria por si só factos e motivações que o tornam um fenómeno ímpar em quase todo o Mundo.Dentro de portas o nosso campeonato de média qualidade, com os melhores intérpretes a actuarem em paragens onde há mais competição e naturalmente melhores proveitos, é a classe dirigente que pela negativa vai tendo maior protagonismo. No antes ou depois de cada jornada, salvo raríssimas excepções, há um lavar de roupa suja com acusações quase sempre de suspeição para com a arbitragem, que têm tanto de desnecessárias como de ridículas. Nos intervalos, o futebol é como o azeite vem sempre à tona. Nesta jornada o Benfica – Porto, é rei. Os Dragões se vencerem, dão um passo importante rumo ao título. Para os encarnados, depois da suada vitória sobre o Liverpool, este confronto com os azuis e brancos não vem na melhor altura.Também por esse motivo, o Benfica - Porto vai ter um sabor especial. A recepção do adeptos benfiquistas aos seus jogadores vai ser outro momento marcante na festa da Luz. Para não falarmos do regresso de Vítor Baía à baliza do Porto, depois do polémico afastamento,por decisão do treinador Adriaanse,ao que parece devido ao "frango" sofrido na Reboleira diante do Estrela da Amadora. O brasileiro Helton tem sido um substituto à altura,mas devido a lesão fica de fora. Vítor Baía, o futebolista que a nível mundial mais títulos conquistou, volta para cumprir o jogo número quatrocentos no campeonato português. É obra…ninguém que goste de futebol, pode ficar indiferente ao curricúlo desportivo, deste atleta campeão. Por tudo isto, digam lá se o futebol necessita da publicidade reles e dos jogos florais de mau gosto, que meia dúzia de oportunistas armados em Chicos Espertos lhe fazem.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

O FUTEBOL É EXEMPLO A SEGUIR


O futebol português esteve bem representado na última ronda do futebol europeu. A nível de clubes o Benfica bateu o Campeão Europeu Liverpool e em termos individuais tivemos treinadores e jogadores com grande protagonismo, a não deixarem créditos por pés alheios. Desde logo no primeiro jogo do duelo mais apetecido o Chelsea-Barcelona. A equipa técnica dos ingleses é toda made in Portugal, com José Mourinho à cabeça, em campo estiveram Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira. Os azuis de Londres perderam por 2-1, mas os futebolistas portugueses foram enormes. Maniche, talvez pelo facto de o Chelsea ter jogado desde o último quarto de hora da primeira parte com dez elementos, devido à expulsão de Del Horno (duas cargas feias sobre o prodígio argentino Messi), não saiu do banco. No lado oposto a brilhar a grande altura esteve o Mágico. Deco é cada vez mais, o patrão a tempo inteiro do Barcelona, porque o Ronaldinho por vezes apaga-se.
No Arena de Amesterdão vi o Ajax-Inter de Milão do noss
o Luis Figo. O Clube mais prestigiado da Holanda sob o comando da velha glória Blind, está a formar uma excelente equipa. É jovem, atrevida e muito tecnicista, faz lembrar o Ajax de Johan Cruyff dos anos 70, ao intervalo vencia com todo o mérito por 2-0. Foi preciso Figo puxar dos galões e comandar o conjunto italiano para a igualdade. Dois jogos de altíssimo nível vistos em todo o Mundo e em que estiveram envolvidos cinco internacionais portugueses que por certo, o próximo Mundial de Futebol na Alemanha os vai projectar ainda mais. Em futebol, para além de exportarmos matéria-prima de alta qualidade e competência, ombreamos sem complexos com os melhores. Que bom que era, verificarmos o mesmo em outras áreas.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

BENFICA , DA NOITE PARA O DIA.

Tal como previa e desejava, o Benfica que hoje defrontou o Liverpool foi rigoroso tacticamente personalizado e ambicioso o golo do Luisão tem sabor a pouco. Para os adeptos estas transfigurações num espaço de tempo tão curto, são inexplicáveis. O conjunto de jogadores de encarnado que esteve em Leiria há quinze dias e em Guimarães no passado sábado, falho de colectivo, sem chama sem classe e ambição, não pode ser o mesmo que esta noite venceu de forma perfeitamente justa os Campeões Europeus. Não acredito em falta de profissionalismo e muito menos em desmotivação.
No encontro da cidade berço, estava em causa o não deixar aumentar a desvantagem para o Futebol Clube do Porto, sem dúvida o adversário número um na luta pelo título. A derrota frente aos vimaranenses deixou os encarnados a oito pontos e aumentou os níveis de confiança dos portistas para a próxima deslocação, precisamente ao Estádio da Luz. Continuo a questionar as opções do técnico Ronald koeman, contam-se pelos dedos de uma só mão as vezes em que apostou no mesmo onze inicial. Assim, é difícil conseguir automatismos por muito que sejam trabalhados durante a semana.
Voltando ao jogo com o Liverpool entendo que Petit, Beto e Manuel Fernandes dão muita marcação e força ao meio campo, mas retiram-lhe criatividade. Quando o grego Karagounis foi chamado ao jogo, a organização ofensiva encarnada melhorou. Na direita da defesa, o Nelson cria mais desequilíbrios, o Alcides não tem morfologia para lateral. O guarda-redes Moretto também me pareceu muito intranquilo De resto a partir deste jogo, penso que Koeman tem praticamente definido o onze titular. Para a visita a Anfield Road, o escasso 1-0 vai obrigar o Liverpool a subir e pode dar grandes chances de contra golpe a flanqueadores rápidos como Simão Sabrosa, Giovani, ou Laurent Robert.
Vamos aguardar e fazer votos para que não haja tremedeira e que a mística internacional do Benfica volte a estar presente na terra dos Beatles e de Sua Majestade.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Benfica - Liverpool, memórias de há vinte e dois anos. Que hoje, a história não se repita.


Parece que foi ontem, mas já lá vão mais de duas décadas. Numa noite de Março, a Catedral viveu uma grande noite europeia em que, independentemente do resultado, o futebol saiu prestigiado.
Com cento e vinte
mil espectadores de vermelho, cor predominante dos dois emblemas, o já extinto Estádio da Luz era um vulcão ao rubro a lançar para o relvado torrentes de entusiasmo. Como jornalista, tive o privilégio de fazer a cobertura radiofónica para as produções Quadrante Norte da Rádio Comercial do Porto.
O Benfica do técnico s
ueco Sven-Goran Eriksson e de Chalana, Néné e Carlos Manuel entre outros excelentes futebolistas, dominava o desporto-rei em Portugal.
Do outro lado estava o Live
rpool, sem dúvida o dream team mundial dos anos oitenta, recheado de grandes vedetas como Graeme Souness, que mais tarde viria a ser treinador dos encarnados, o goleador Ian Rush e o fenomenal Kenny Dalglish.
O resultado agora po
uco interessa, o Liverpool foi superior nas duas mãos, principalmente no jogo que agora vos refiro. Souness, Dalglish e Rush em noite endiabrada destroçaram por completo a defesa portuguesa, com quatro descidas certeiras à baliza de Bento contra apenas um remate eficaz às redes de Bruce Grobbelaar. Os ingleses acabaram por chegar ao título europeu diante da Roma, vitória por 1-0. Hoje, como referimos em título,esperemos que a história não se repita. O Liverpool actual campeão da Europa é de novo favorito. Individual e colectivamente é mais forte. Petit e Manuel Fernandes ou Beto vão ser decisivos nos confrontos a meio campo com Xábi Alonso e Steven Gerrard os corações e os pulmões do conjunto inglês. Simão Sabrosa em noite inspirada pode desequilibrar nas acções ofensivas. O transmontano, vai querer mostrar porque é que o Liverpool o queria nas suas suas fileiras. Vamos esperar que o Benfica repita a excelente exibição conseguida diante do também britânico Manchester United e que Koeman ganhe tacticamente ao matreiro espanhol Rafa Benitez. Dois golos de diferença a favor da equipa portuguesa, era um resultado excelente para o jogo da segunda volta em Anfield Road, na terra do Beatles.

Boa Sorte Benfica

domingo, fevereiro 19, 2006

Os guarda-redes de novo em foco


Volto a partilhar convosco, aqui no meu blog, algumas ideias sobre os guarda-redes. Os tais desprotegidos pelos deuses que nem deixam crescer a relva onde eles actuam. Os “pobres” futebolistas que passam muito tempo sozinhos em campo, a observar a bola os companheiros e os adversários. Ultimamente, as claques adversárias decidiram ajuda-los a quebrar esse isolamento. De forma mal-educada e covarde, lembram-lhes pessoas queridas da família. UH, UH, UH… filho da pu…
Devo também confessar que enquanto praticante de futebol nunca tive simpatia e muito menos aptidões para a baliza. Na minha infância, ser escolhido para evitar que a bola passasse uma linha imaginária definida por duas pastas de livros e cadernos, era motivo de tristeza e infelicidade. Só para lá iam ou os mais fracos fisicamente ou os desajeitados para o pontapé na bola.
Alguns anos depois, a minha opinião mudou radicalmente. É uma posição específica, muito exigente em atributos físicos e psíquicos. São os únicos que não podem falhar e o seu desempenho individual é determinante para o êxito do colectivo. Fiz boas amizades com excelentes guarda-redes, recordo particularmente os nossos: Bento, Zé Beto e Vítor Damas, lá fora apreciei o russo Yashin o italiano Zoff, e o alemão Maier.
Vem esta introdução e por acréscimo este relevar dos guarda-redes, a propósito do regresso ao trabalho de campo do jovem guardião do Benfica, o internacional Moreira. Sem dúvida um dos maiores talentos da nova geração de futebolistas. Com apenas dezanove anos estreou-se na primeira divisão lançado pelo técnico Toni e pouco tempo depois era o dono indiscutível da baliza dos encarnados. Precoce como guarda-redes, também o foi no capítulo das lesões. Não é muito vulgar sofrer de problemas de cartilagens nos joelhos aos vinte e dois anos. Em Outubro do ano passado fez o último jogo regressou por duas vezes sem êxito, foi operado ainda nesse mês e há uma semana, ao que tudo indica completamente recuperado, voltou ao trabalho de campo e à preparação específica. Um regresso que os adeptos do futebol saúdam, o de um jovem que ainda juvenil deixou o Salgueiros à procura de outros voos no clube da águia. Personalidade forte apesar dos ainda jovens vinte e três anos, internacional em todos os escalões, José Filipe da Silva Moreira, natural do Porto, está pronto para um novo assalto à baliza dos encarnados da Luz. Moretto e Quim que se cuidem Moreira não facilita a concorrência. Entretanto dirão os dirigentes do Benfica, não há fome que não traga fartura.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Leixões e Olhanense, vão recordar outros tempos

O Leixões vai ter no próximo domingo um encontro de extrema importância tendo em vista a subida ao primeiro escalão do futebol nacional.
Os matosinhenses recebem o Olhanense um adversário directo, com os mesmos objectivos e que neste momento está na segunda posição com mais seis pontos do que os leixonenses. A derrota ou a divisão de pontos, coloca os comandados de Rogério Gonçalves em situação complicada no tocante ao sonho da divisão principal há muito ambicionado. Perspectiva-se pois um jogo de emoções fortes entre dois emblemas históricos do futebol português, a fazerem lembrar o tempo dos Oliveira, Gentil, Osvaldo Silva, Reina e tantos outros grandes futebolistas.
A irregularidade no conjunto de Matosinhos tem sido uma constante. Principalmente fora de portas ganhou três vezes, perdeu cinco jogos e empatou quatro. Ao conjunto rubro branco falta-lhe um número dez para coordenar e criar soluções no jogo ofensivo. Os algarvios estão extremamente motivados para a subida, sentem que toda a região torce para que o mapa da Super Liga se estenda até ao extremo Sul de Portugal. Paulo Sérgio tem um grupo de trabalho muito equilibrado, misto de experiência e juventude responsável por uma regularidade notável. Em casa nunca perdeu e fora venceu cinco jogos, empatou três e apenas por duas vezes conheceu o sabor amargo da derrota
Domingo, o velhinho mas renovado estádio do Mar vai rebentar pelas costuras para o importante e emotivo embate entre gente que faz do mar e da pesca o seu modo de vida. Vamos torcer para que seja acima um bom espectáculo e que os profissionais das duas equipas se respeitem. Já agora em rodapé,faço o mesmo pedido às claques.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Scolari... ainda não me convenceu


Sou dos poucos portugueses, que não pertence à numerosa lista de admiradores de Luis Filipe Scolari. O ar paternal e o aspecto bonacheirão, a fazer lembrar um texano bem sucediddo não me caiu no goto, principalmente porque o técnico brasileiro quando deriva para o futebol, é tudo menos flor que se cheire. A simpatia e a cordialidade desaparecem, para dar lugar a um cidadão de nariz empinado por vezes a roçar a arrogância. Foi campeão do Mundo à frente da selecção brasileira, mas esse estatuto não lhe dá a presunção de julgar que o futebol começa e acaba nele e que as ideias dos outros não têm fundamento, são meras opiniões. Quem disse que o Pelé não percebia nada de futebol? Scolari esquece-se de que do lado de cá do Atlântico, o futebol já não é chutão para a frente e bola quadrada. Quem acompanha o fenómeno, sabe que Scolari poucos meses antes de erguer a taça no Coreia-Japão, teve "a cabeça" a prémio na fase de qualificação das mais sofridas em todo o Brasil, conseguida quase de forma dramática. Depois, teve o mérito de disciplinar um grupo de futebolistas de nível superior, desde logo motivados por se encontrarem na principal montra do futebol mundial, trampolim para contratos multimilionários.
Em Portugal, Scolari começou por criar fortes atrítos ao excluir atletas de nível internacional e provas dadas nas selecções, com o agravante de nunca ter trabalhado com eles. Como foi possível por em causa aspectos morais e profissionais sem os conhecer? No campeonato da Europa de que Portugal foi anfitrião, observou e experimentou vários futebolistas alguns de valor duvidoso. Curiosamente, no jogo inaugural andou às apalpadelas, a exibição foi má e o resultado ainda pior, derrota por 2-1 com a Grécia. Aos poucos foi dando a mão à palmatória, Ricardo Carvalho, Deco e Maniche passaram de alternativas a titulares indiscutíveis e peças importantes na caminhada para a final. No jogo decisívo, de novo o desaire desta vez por 1-0 outra vez frente aos gregos. Dento de portas com todo o País engalanado com bandeiras e cachecóis a puxar pela selecção teve sabor a desastre. A chamada ao grupo de trabalho de João Pinto, Vitor Baía e Sérgio Conceição experientes e habituados a confrontos de alto nível poderia ter sido benéfica.O técnico brasileiro escolheu mal, dividiu os jogadores e incompatibilizou-se com as direcções de alguns clubes.
Ainda com Scolari no comando, Portugal prepara a participação no Mundial da Alemanha. No apuramento, a Rússia em fase de renovação acabou por não discutir como seria de esperar a qualificação muito inexperiente, foi goleada por Portugal 7-1 e ultrapassada pela Eslováquia. A Estónia, a Letónia, o Liechtenstein e o Luxemburgo foram uns bons segundos planos. Já não há adversários fáceis, mas todos concordam que o grupo da equipa de todos nós foi bastante acessível. Agora nos palcos Germânicos, vamos ter pela frente: Angola, Irão e México. Três adversários perfeitamente ao alcance da equipa nacional, desde que sejam respeitados e não voltemos a entrar Saltilhadas como aconteceu no México ou nas confusões ainda por esclarecer,verificadas no mundial da Coreia-Japão. Pela aragem que já se respira a menos de meio ano do início da competição, não vai ser fácil, Scolari ao dizer que o grupo de trabalho é práticamente o mesmo, desmotiva quem aspira e trabalha para vestir a camisola das quinas, ao referir que talentos como Ricardo Quaresma capitão e figura número um dos Sub 21 para o campeonato da Europa que decorre em Portugal está praticamente excluido da equipa A, ao continuar cego em relação a Sérgio Conceição o melhor jogador do campeonato Belga e a piscar dia sim dia sim o olho à selecção inglesa, está atear fogos. Motivos que me levam a augurar tudo, menos tranquilidade à selecção do Portugal no antes durante e após o mundial da Alemanha. Prevejo isso sim, um Verão bem escaldante... oxalá me engane. Sobre Luis Felipe Scolari, julgo que consegui justificar a minha menor simpatia pelo Felipão... treinador de futebol.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

DOIS GUARDA-REDES INTERNACIONAIS E MUITAS COINCIDÊNCIAS


Dos guarda-redes principalmente de futebol, diz-se muita coisa e contam-se ainda mais histórias. Para os brasileiros é um posto de vaidosos que até vestem diferente e almadiçoado porque onde jogam nem a relva cresce. Defendem-se os guarda-redes quando dizem que são os únicos que não podem falhar. Vitor Baía e Quim dois enormes guarda-redes internacionais: o portista, com um palmarés brilhante a nível mundial conseguido em Barcelona, no Porto e na Selecção fez correr rios de tinta e motivou acaloradas discussões, devido à mais do que polémica decisão na escolha de Scolari para a baliza de Portugal. Desta vez a contestação a Baía partiu de dentro de portas. Mal batido pelo menos numa primeira análise no segundo golo do Estrela da Amadora, o treinador holandês Co Adriaanse virou as costas a todos os anteriores e decisivos desempenhos de Baía e mandou-o para o banco de suplentes. Parece ter sido uma decisão injusta e mais do que isso inoportuna no aspecto moral e psíquico para o balneário.
Quim outro guarda redes de valor indiscutível, internacional em todas as selecções portuguesas ainda ao serviço do Sporting de Braga, passa por uma situação de contornos de maior injustiça. Lesionado com alguma gravidade, ainda em fase de recuperação nunca disse não às convocatórias de Ronald Koeman para defender o emblema da águia e por em risco o prestígio pessoal. Pois bem, abriu o mercado das transferências de Inverno, o Benfica contratou o guarda-redes brasileiro Moretto e lá passou o Quim a ver os jogos no banco ao lado do técnico holandês. Nesta simples observação que não passa disso, o valor do Helton ou do Moretto não estão em causa, são dois excelentes guarda-redes por coincidência brasileiros. Foi apenas o constatar de uma das muitas situações curiosas em que o futebol é fértil e que neste caso envolve dois do melhores guarda-redes do futebol português. Para outras ilações... estou em offside.







O Clube Náutico de Crestuma apagou 25 velas


A passagem de um quarto de século na vida de alguém, é sempre um marco importante com direito a comemoração. Foi o que aconteceu no passado dia 3 a propósito dos 25 anos do Clube Náutico de Crestuma, uma cerimónia que juntou fundadores da colectividade, antigos e actuais dirigentes, várias gerações de atletas, entidades oficiais da freguesia e do concelho de Vila Nova de Gaia e representantes dos orgãos de informação.
Com os pés debaixo da mesa e os estómagos bem aconchegados vieram à baila canoas, pagaias, grandes feitos da canoagem proporcionados no decorrer das muitas maratonas internacionais organizadas pelo clube e naturalmente as proezas conseguidas pelos grandes campeões portugueses e estrangeiros que por ali passaram.
Colectividade umbilicalmente ligada ao Rio Douro, é responsável pelo regresso dos Crestumenses ao rio e pela formação de gerações de atletas e homens vencedores no desporto e na vida. Principal clube da Federação Portuguesa de Canoagem em títulos conquistados e atletas internacionais, o dr. José Guilherme Aguiar vereador do pelouro do desporto da Câmara de Vila Nova de Gaia, não teve dúvidas em afirmar o C.N. de Crestuma é um exemplo para as colectividades do concelho. A realização no passado mês de Junho da 25ª Maratona Internacional que contou para a Taça do Mundo de Canoagem e a responsabilidade de organizar em 2009 o Campeonato do Mundo de Maratonas, atestam de maneira inequívoca o prestígio que o Clube, os seus dirigentes e atletas alcançaram além fronteiras.
Com atletas campeões cada vez mais novos como observamos na entrega de prémios, novas instalações para convívio treino e prática de outras modalidades como a ginástica e a dança, o Clube Náutico de Crestuma tem pela frente... muitos mais vinte e cinco anos para festejar.

PARABÉNS

domingo, fevereiro 05, 2006

DRAGÃO EM CHAMAS

Está agitado o ambiente na família portista. A cor das relações entre dirigentes, equipa de futebol e associados passou do azul quase celeste parecido com o das camisolas, para tons de azul muito…muito escuro a prenunciar tempestade. Como sempre, as vitórias determinam o ambiente nos clubes principalmente nos mais poderosos e naturalmente mais ambiciosos, neste particular o Futebol Clube do Porto não foge à regra. A passagem do troféu nacional de futebol para o emblema da águia e a participação pouco conseguida na defesa do título de campeão da Europa de clubes, com a quase caricata contratação de três técnicos na mesma época, deram início a um clima de desconfiança e contestação da massa associativa. Esta época, apesar da vantagem de quatro pontos sobre o rival mais directo o Benfica, o clima à volta da equipa não melhorou.

As ideias e decisões do novo treinador o holandês Co Adriaanse, não caíram no goto dos adeptos. Começou com o controverso afastamento do "capitão" Jorge Costa no início da época e recentemente com a despromoção pouco oportuna de Vítor Baía a suplente … outro histórico do balneário portista. O fraco registo exibicional da equipa sem comando em campo, alterada em cada jogo, deficiente a defender e previsível na procura da baliza adversária, têm contribuído para o divórcio cada vez mais profundo. Que saudades sentem os portistas, daquela equipa que há apenas duas épocas brilhava na Europa e no Mundo.

Na última jornada, o não aproveitamento por inteiro do deslize dos encarnados no derby da capital foi a gota de água. O empate dos azuis e brancos frente ao Rio Ave, sem golos e mal jogado fez perder a cabeça a uns quantos adeptos mais exaltados. O treinador Co Adriaanse, alguns dirigentes e mesmo o presidente Pinto da Costa, não escaparam aos insultos num fim de noite de domingo pouco pacífico em Vila do Conde. Mais tarde no Centro de treino do Olival em Vila Nova de Gaia, aconteceu bem pior com tentativas de agressão ao técnico holandês e danos consideráveis na sua viatura. Atitudes inqualificáveis, de todo inadmissíveis repudiadas por quem de bom-senso. As acusações surgiram de imediato dirigidas em particular à claque dos Super Dragões. O apuramento da verdade não deve ser difícil, há imagens captadas pelas câmaras da segurança. Para a SAD do Porto não há dúvidas, já retirou todo o apoio à claque, transportes e obtenção de ingressos por isso, o ambiente está agora ainda mais tenso.

Os Super Dragões dizem-se inocentes e já anunciaram que vão estar em peso no próximo jogo com o sempre difícil Sporting de Braga, o ambiente no estádio do Dragão perspectiva-se de alto risco, acrescido pelo facto de o Nacional da Madeira e o Benfica terem perdido em Alvalade e em Leiria, respectivamente.

A família portista impar na paixão pelo seu emblema passa por uma fase agitada, a exemplo de outras já vividas há alguns anos. Necessita urgentemente de olhos nos olhos sem pressões ou medos, discutir abertamente a orientação e gestão do Clube. Há aspectos pouco claros, desde logo como se desfez de uma equipa campeã da Europa e do Mundo em menos de dois anos, sendo público que a saúde financeira da colectividade não é das melhores. Duvidas, acusações e boatos só servem para dividir, nuncam foram solução.

O emblema mais representativo do futebol português nas últimas duas décadas, deve dar o exemplo de conduta cívica e desportiva dentro e fora das quatro linhas. Violência, basta estar minimamente atento ao que se passa à nossa volta, para concluir que já demos para esse peditório.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

A propósito de Mantorras


Admirador confesso do futebolista internacional angolano Pedro Mantorras, julgo não terem sido oportunas e muito menos inteligentes as declarações do jogador do Benfica no regresso do Egipto onde a selecção de Angola esteve longe de mostrar porque é um dos representantes de África no Mundial de futebol da Alemanha, que se avizinha. Nos três jogos
que Angola efectuou na CAN, Mantorras nunca foi titular e esteve em campo poucas dezenas de minutos. A situação não agradou ao ponta de lança angolano e de imediato tal como faz na procura da baliza adversária manifestou-a de forma directa e contundente aos jornalistas. Até aqui tudo bem, é livre de manifestar a sua opinião, de fazer sentir o que lhe vai na alma. Mas ... e como em tudo há sempre um mas, neste caso ressaltam diversos aspectos a ter em conta. Mantorras talvez mal aconselhado reagiu de forma inoportuna ao dizer que se as coisas continuarem assim, renuncia à selecção de Angola. Os "Palancas Negras" não estiveram bem, longe disso, duas derrotas um empate e o abandono prematuro da prova, criaram um ambiente frágil fora e dentro do balneário, pouco propício a atitudes e decisões radicais. O Pedro Mantorras esquece-se que os seus níveis físicos actuais não são os melhores, prova disso é a utilização fraccionada nos jogos da liga portuguesa. O Seleccionador de Angola Luis Oliveira Gonçalves, não fez mais do que Ronald Koeman tem vindo a fazer. A recuperação total fisica, psíquica e futebolistica do avançado do Benfica e de Angola deve ser progressiva, feita de pequenas participações no jogo. Acresce ainda, que o Mundial de futebol na Alemanha está à porta e do que as equipas apuradas neste momento mais necessitam é de união, solidariedade e conjugação de esforços sem deixar de serenamente analisarem o que está menos bem. Mantorras, por representar um emblema de prestígio Mundial particularmente querido no seu País, é um dos expoentes máximos da selecção angolana e será um dos artistas mais aplaudidos nos palcos germânicos. A atitude infeliz agora tomada, pode sair-lhe cara. Por muito menos já vimos grandes estrelas do futebol ficarem na bancada, ou a verem os jogos pela televisão. Esperemos que tal não aconteça. Mantorras agora de cabeça fria vai reflectir e com a humildade, o carácter e a força com que venceu a gravissima lesão que quase o colocou na porta de saída do futebol, vai dialogar com os responsáveis da selecção e tudo será esclarecido e ultrapassado. Pela primeira vez num Mundial de futebol, Angola precisa de se apresentar confiante, personalizada e unida e Pedro Mantorras é sem dúvida um dos elos mais fortes, de uma das três selecções que em terras germânicas vão falar português.


Oigrés