quarta-feira, março 21, 2007

FILHO DO MARÃO E VIZINHO DE TORGA




A bonita a e laboriosa localidade de Constantim em Vila Real de Trás-os-Montes, paredes-meias com o histórico santuário romano de Panóias, viu nascer a 31 de Outubro de 1979, Simão Pedro Fonseca Sabrosa.
Não foi preciso muito tempo, nem difícil adivinhar, que aquele rapazinho franzino tinha carradas de habilidade para o pontapé na bola e capacidade para altos voos. Na escola Diogo Cão estudou e alargou o seu prestígio futebolístico, chamando a atenção dos olheiros do grande Sporting de Lisboa. Pouco tempo depois, a melhor academia de formação de futebol portuguesa recebia um diamante puro com muitos anos para ser lapidado. O crescimento no clube e nas selecções foi contínuo e progressivo, sem surpresa chegou a titularidade em Alvalade e na Selecção.
O estádio do Bonfim serviu de palco e Israel o adversário da estreia de Simão Sabrosa na equipa principal portuguesa. O magnífico contributo do estreante Simão com apenas dezanove anos, foi decisivo para o triunfo por 2-0. De então para cá continua de pedra e cal nas escolhas para a Selecção Menos positivas foram as duas épocas ao serviço do colosso Barcelona. Inexperiência, juventude e sobretudo falta de apoio desportivo, contribuíram para o semi fracasso no clube catalão onde não é fácil o triunfo. São inúmeros os casos de inadaptação à cidade Condal e principalmente ao emblema azulgrana.
De regresso a Portugal, cometeu a enorme falha de não reconhecer a importância do Sporting na sua formação humana e futebolística. Podia e devia tê-lo feito e descartar a passagem para o Benfica como mera consequência de quem é profissional. O Benfica ri-se de contente o agora capitão é de longe a melhor unidade do emblema da águia. Assiste, finaliza e assume todos os movimentos ofensivos da equipa. Aos 28 anos está no auge das suas capacidades. Tecnicamente quase perfeito, fisicamente mais resistente e robusto, melhorou naturalmente a leitura de jogo e conduta em campo.
Se a saída para o estrangeiro há muito anunciada se concretizar, Simão Sabrosa vai por certo confirmar que é um dos futebolistas mais completos do futebol europeu e que a saída para o Barcelona em 99, foi mais um precipitado erro de gestão dos responsáveis do Sporting.

segunda-feira, março 12, 2007

OS +, E OS –, NO CHELSEA-PORTO


Desde logo pela positiva, por o comando técnico das duas equipas ser da responsabilidade de dois treinadores portugueses, caso extremamente raro em jogos da Liga dos Campeões.
Jesualdo Ferreira e José Mourinho dois técnicos de gerações diferentes, estiveram bem no que concerne à preparação e desenvolvimento táctico dos jogos da eliminatória. O somatório das duas mãos foi favorável ao emblema londrino, com a formação portuguesa a sair prestigiada e de cabeça erguida. Lisandro e Quaresma no Dragão e Helton em Stamford Bridge, podiam ter pintado outro quadro. Mas no futebol como em quase tudo, os “ses” não aquecem nem arrefecem, só servem para dar emoção às "estórias".
Também gostei de ver para além do Mourinho, Baltemar Brito, Rui Faria, Silvino Louro e André Vilas Boas no banco dos responsáveis dos azuis da cidade do Tamisa e dentro das quatro linhas, Paulo Ferreira, Hilário, Nuno Morais e o amarantino já grande senhor do futebol mundial Ricardo Carvalho. Quase se pode dizer que o Chelsea foi uma equipa mais portuguesa do que o Porto. Enfim, são novas politicas de aquisição de futebolistas, subordinadas a outros interesses económicos. Na minha perspectiva, de defensor da formação e valorização do futebolista português, foi um aspecto menos bom neste confronto Luso-Britânico que teve em José Mourinho um duplo protagonista.
Pela positiva, ao ultrapassar mais um obstáculo. Fê-lo mais uma vez com a competência e o pragmatismo que se lhe reconhece. Em sentido inverso, ao usar a esmo, o cinismo, a ironia e numa ou noutra vez, a depreciação do adversário. Ninguém lhe reconheceu essa faceta quando era um desconhecido adjunto-tradutor do mestre Robson. A forma como se referiu ao seu companheiro de profissão, o Prof. Jesualdo com muito anos de profissão e inúmeras provas de saber estar no futebol e na sociedade, raiou o vulgar. Afinal o adversário português da margem do Douro, até o ajudou a entrar na alta-roda do futebol, já ergueu o “caneco” por duas vezes, uma das quais com ele, proeza que o Chelsea ainda não conseguiu. A fama e os Euros, neste caso as Libras, afectam os neurónios de muita gente. Estou em crer que não vai acontecer com o "Zé". Possivelmente já reflectiu e por certo ouviu os conselhos experientes e sábios do “velho” Félix Mourinho que não deixou de lhe transmitir o que por cá se escreveu e disse. Afinal as vitórias e as derrotas cruzam-se a cada esquina.
Os portugueses principalmente os portistas sabem perdoar e são seus admiradores incondicionais e agora vão torcer por ele. Os grandes campeões são exemplos de humildade e desportivismo mas também têm dias menos bons.

domingo, março 04, 2007

SEM DEFESA


Caiu um grande campeão. Inesperada, dura, cruel, traiçoeira, na vida e no desporto, a única forma de deitar por terra Manuel Galrinho Bento. Para a história do futebol português, fica a memória de um dos melhores guarda-redes de sempre.
Da Golegã, sua terra natal ao Riachense, Barreirense, Benfica e Selecções, fez um percurso brilhante. Vestiu por 63 vezes as cores nacionais e capitaneou a equipa das quinas em 26 jogos. Com o emblema do Benfica, a sua grande paixão, em 464 jogos conquistou dezasseis títulos. De baixa estatura para o específico posto de guarda-redes, superou esse pequeno contra com uma extraordinária capacidade de impulsão, destemor e super capacidade de reflexos. A vontade de trabalhar, sacrifício e humildade fizeram o resto. Na memória ficam-nos algumas jornadas de brilho ao mais alto nível.
No Europeu de 84 em França o diálogo futebolístico com a super estrela Gaulesa, agora presidente da UEFA Michel Platini ou no Alemanha – Portugal em Estugarda, na forma como se opôs aos “tiros” do “bombardeiro” Rummenigge, para guardar o precioso golo de Carlos Manuel que nos levou ao mundial do México 86. Particularmente e em termos profissionais recordo um Porto-Benfica nas Antas para a Super Taça Cândido de Oliveira. O diálogo guarda-redes – ponta de lança que travou e venceu com o “bibota” Fernando Gomes, foi das coisas mais lindas que eu vi nas quase cinco décadas que levo de futebol. Há cerca de um ano o coração marcou-lhe um castigo máximo, que o Manel Galrinho ultrapassou, mas desta vez o adversário foi mais forte. Acabou vencido no lance mais importante da sua vida.
Já no ALÉM, junta-se a uma preciosa plêiade de grandes guarda-redes: Azevedo, Costa Pereira e ao seu companheiro e grande adversário Vítor Damas. O treinador vai ter mais dificuldades para escolher o titular.
Paz à tua alma, amigo.