sexta-feira, março 31, 2006

Conselhos do Velho Mestre



José Mourinho é sinónimo de êxito no futebol e imagem de marca bem explorada. No Futebol Clube do Porto conquistou títulos nacionais, a Taça de Portugal, a Taça UEFA e a Liga dos Campeões e no Chelsea vai a caminho do bis, isto tudo num abrir e fechar de olhos. Enorme mérito, muita inteligência e alguma sorte projectaram-no para os píncaros do estrelato no mundo do futebol.
No Chelsea a estratégia de Mourinho casou perfeitamente com os milhões de Abramovich e o clube do bairro chique de Londres passou a ser um dos mais temidos do Mundo. Mas como em quase tudo, não há bela sem senão. Os êxitos desportivos subiram em flecha, lado a lado com a antipatia ao treinador português. Por inveja é mais do que certo, mas também pela personalidade vincada e um olhar altivo, quase a roçar a arrogância. Posso afirmá-lo, uma postura bem diferente de estar na vida em relação ao seu pai e meu amigo o guarda-redes internacional e treinador Félix Mourinho. Submissão e hipocrisia não entram no vocabulário de Mourinho, que na Ilha de Sua Majestade disse bem alto que era português e que como treinador, poucos colegas ingleses possuíam o seu curriculum. Apontou defeitos à tradicionalista organização do futebol inglês e naturalmente não tardaram os ódios e as perseguições. Cem por cento British o seu mestre, com quem aprendeu a dar os primeiros passos como “Mister”- foi Sir Bobby Robson. Primeiro no Sporting, depois no Porto e por último no Barcelona. A velha raposa dos estádios de futebol é naturalmente um seguidor atento da carreira do seu ex. pupilo. O “velho mestre” está naturalmente preocupado com o comportamento do seu amigo e discípulo “José”, alvo demasiado fácil da voraz, pouco escrupulosa e chauvinista imprensa britânica. Naturalmente conhecedor de tudo o que diz respeito ao futebol e às relações com os que fazem opinião em terras de Sua Majestade, Sir Robson só quer alertar José Mourinho para o futuro das suas relações pessoais, numa profissão de risco permanente, do bestial e da besta, onde o êxito e o fracasso moram lado a lado. Podem crer, que mais uma vez, José Mourinho vai ser inteligente.

quarta-feira, março 29, 2006

De Novo os Guarda-Redes


Começa a ser maçador trazer ao meu blog, histórias ou casos de guarda – redes. Certo é que, não podia deixar passar em claro a situação de Vítor Baía, de novo suplente no Futebol Clube do Porto.
Vou ser parco em palavras
na minha observação, apesar do assunto merecer análises e considerações mais profundas. Desde logo a personalidade e conduta do treinador Co Adriaanse, enquanto gestor de um grupo de trabalho de alto rendimento desportivo, se atendermos ao “timing” ou se preferirem à oportunidade das opções de escolha. O valor dos intérpretes e as tácticas adoptadas são também discutíveis, mas pertencem a matéria de foro pessoal. O caso vertente, é que me parece passível de psiquiatria. Começamos pelo afastamento de Baía frente à Naval num jogo em que o internacional portista cumpria junto do seu público, a bonita soma de 400 jogos no campeonato. Foi uma decisão inoportuna e injusta até porque não foram conhecidos motivos disciplinares ou desportivos. Agora, retira-lhe de novo a titularidade depois de ter sido considerado por toda a imprensa e até pelo próprio Adriaanse, o herói na passagem dos azuis e brancos à final da Taça diante do Sporting. Há de facto decisões e opções que não dão para entender. Continua a não estar em causa o valor de Helton, um excelente guarda-redes com um passado de Campeão do Mundo de Sub 21 pelo Brasil e um futuro brilhante. Contesta-se isso sim, as alterações perfeitamente absurdas de jogo para jogo e o esquecimento a que são votados alguns jogadores de reconhecido valor. Se isto não é dividir o balneário, minar o espírito de grupo e divorciar uma massa adepta ímpar no apoio à equipa, vou ali e já volto.
O Porto muito aquém daquilo que sabe e principalmente pode. Vai cumprindo os mínimos, mas o vulcão do mal-estar e da contestação estão lá no estádio do Dragão. Oxalá não entre em erupção ainda esta época.

sexta-feira, março 24, 2006

ACUDAM AO FUTEBOL

Pois é!... Afinal a equipa de arbitragem chefiada por Olegário Benquerença, julgou bem a jogada mais polémica do último Porto-Sporting. No lance entre Pepe e Liedson aos 27 minutos do primeiro tempo, em que foi pedida grande penalidade, o defesa portista jogou a bola com a mão fora da área. No calor do após jogo, fizeram-se acusações, criticas e foi posta em causa a seriedade de tudo e de todos. Os protestos dos dirigentes e da equipa técnica dos leões ainda não pararam, por certo baseados na opinião dos repórteres da Televisão, unânimes a concluíram que houve razões para grande penalidade. Certo é que, passadas algumas horas, a mesma Televisão após análise mais cuidada “ imagem a imagem, “ frame a frame “ deu o dito por não dito. Concordaram que afinal não houve motivo para grande penalidade, isto porque o defesa azul e branco jogou a bola com a mão, mas fora da área e então, o Sporting só ficou lesado num livre directo e num cartão amarelo que devia ter sido mostrado ao Pepe.
No rescaldo desta polémica, a arbitragem voltou a ser o elo mais fraco e a servir como quase sempre acontece, de bode expiatório para prestações e resultados desportivos menos conseguidos.
A jogada em questão, não era de julgamento fácil para qualquer dos elementos da equipa de arbitragem, de tal modo que enganou os jornalistas televisivos apesar de apoiados por várias câmaras que esmiúçam os lances até ao pormenor.
Serviu ainda este caso, para mostrar como os agentes do futebol se agridem, sem pensarem que aos poucos desacreditam e se tornam coveiros do mais belo espectáculo do Mundo. O futebol, é paixão e emoção. Feito por homens, nasceu e cresceu com as falhas de quem o pratica e os erros de quem o ajuíza. A colocação de sensores electrónicos nas linhas de baliza, pode dar uma ajuda preciosa, já que, implica a validação ou não de jogadas de golo. De resto, quando não houver lances mal interpretados pelos árbitros, penaltis falhados e “ perus “ dos garda redes, - REZEM PORQUE O FUTEBOL MORREU.

quinta-feira, março 23, 2006

PELÉ / MARADONA - NÃO FAÇAM COMPARAÇÕES.




Torna-se difícil e não parece correcto, comparar ou superlativar dois futebolistas geniais de épocas diferentes. Pelé e Maradona, aqui apresentados por ordem de entrada em cena nos palcos mais deslumbrantes do futebol mundial. De comum só se lhes conhecem três características: Sul-americanos, preferência pela camisola nº10 e uma relação de carinho inigualável, com a bola. De resto totalmente diferentes, até na cor da pele. Tive o privilégio, de acompanhar a carreira destes dois extraodinários futebolistas. Edson Arantes do Nascimento, está para os brasileiros como Samba ou o Carnaval. Actualmente com 66 anos, tem um palmarés desportivo impressionante, é o único futebolista que ultrapassou o milhar de golos obtidos em jogos oficiais. Foi campeão do Mundo pelo Brasil em 1958 na Suécia com apenas 17 anos, sem dúvida uma prova de maturidade e personalidade prematuras. Por mais duas vezes alcançou o titulo mundial no Chile em 62 e no México em 1970, pelo meio regista-se o momento menos pessoal e da participação brasileira na Inglaterra em 1966, em parte por culpa de Portugal e particularmente do defesa do Sporting, João Morais. Fiel ao clube do seu coração o Santos, Pelé só em fim de carreira e já como embaixador mundial na promoção do futebol, defendeu outro emblema o Cosmos de Nova York. Pele, é um caso raro de futebolista que soube gerir uma carreira ao mais alto nível como futebolista, e projectá-la depois de pendurar as chuteiras. Foi ministro do desporto do governo do Brasil entre 1995 e 1998, é accionista de dezenas de empresas multinacionais e um embaixador permanente do futebol mundial.
Diego Armando Maradona, a villa Fivrito em Buenos Aires viu-o nascer em 1960. Pequeno e atarracado, nos relvados proporcionava um conjunto perfeito e inigualável na forma como a sua canhota conduzia e colocava a bola. Campeão do Mundo em 1986 no México, Barcelona, Sevilha e principalmente Nápoles, conheceram de perto a classe ímpar de “ El Pibe.” Pouco exigente na escolha dos que o rodeavam fora dos estádios, não soube fintar o álcool a droga e a prostituição. Sujeito a diversos tratamentos de desintoxicação, aquele que foi considerado herói nacional argentino, tem passado por sucessivas crises de saúde e já conviveu de muito perto com a morte.
É na forma como estes dois génios do futebol saíram do estrelato, da fama dos estádios, dos aplausos e da idolatria das multidões, para uma vida igual à do cidadão comum, que a balança se inclina para o lado de Pelé. Ainda que não pareça… MENTE SÃ EM CORPO SÃO… também se aplica no futebol.

quarta-feira, março 15, 2006

BENFICA - BARCELONA. TANTAS AFINIDADES.



Sexta-feira 10 de Março, por volta do meio-dia rolaram as bolinhas da sorte para a ronda dos quartos de final da liga milionária do futebol europeu. Foi em Paris, que este ano no estádio de França recebe o jogo da final.
O Benfica e o Barcelona saíram acasalados com o primeiro jogo marcado para o Estádio da Luz e pode dizer-se que a sorte esteve do lado do clube português, por variadas razões de carácter financeiro e desportivo. Nesta fase da prova todos os adversários são de tripla, porque os fáceis já foram para casa. Sair eliminado pelo Barcelona é perfeitamente normal, os catalães possuem um plantel multimilionário, com alguns dos melhores jogadores do Planeta. No caso de seguirem em frente, as águias têm de novo escancaradas as portas da Europa. Em termos financeiros, foi bingo para os cofres benfiquistas. Os estádios da Luz e Nou Camp vão ser pequenos para tanta procura, e há a contabilizar outras receitas provenientes da publicidade e direitos das transmissões televisivas. Podem crer, Lisboa e Barcelona vão estar muito próximas.
Este confronto Ibérico tem também muitos aspectos curiosos. O Benfica foi pela primeira vez campeão da Europa diante do Barcelona 3-2, no já longínquo ano de 61 em Berna na Suiça. Ainda não existia o Eusébio “pantera negra”, mas já pontificava “o monstro Mário Coluna”. Simão Sabrosa capitão dos encarnados e Geovanni já vestiram a camisola azulgrana, o actual técnico do Benfica Ronald Koeman foi jogador e treinador adjunto do clube da Catalunha. Curiosamente, o Barcelona só foi campeão europeu uma vez, mercê de um golo de Koeman frente à Sampdória na época de 91/92 na já desaparecida catedral do futebol inglês, Wembley.
Mas, há mais aspectos interessantes, o actual treinador dos campeões de Espanha, Frank Rijkaard também é holandês e jogou com Koeman na selecção da Holanda, campeã da Europa em 1988 e para terminar, o motor e patrão dos espanhóis, é o luso-brasileiro internacional português, Deco.
Em perspectiva dois jogos interessantíssimos, a proporcionar o reencontro de jogadores que se conhecem bem. Deco, Puyol, Ronaldinho, Petit, Nuno Gomes, Simão, Geovanni. O Benfica não é favorito? Também o não era com o Manchester e o Liverpool...


terça-feira, março 07, 2006


O PEQUENO ENORME FUTEBOLISTA


Está de"regresso"o verdadeiro artista dos relvados, um dos melhores futebolistas de sempre do futebol português. João Manuel Vieira Pinto, actualmente no clube de onde despontou para o futebol de alta competição. Aos trinta e quatro anos, o JVP já defendeu outros grandes emblemas como as águias, os leões e ainda muito novo, numa aventura que podia ter marcado de forma negativa e decisiva a sua carreira, o Atlético de Madrid. A camisola das quinas envergou-a em todos os escalões e pode dizer-se que é o único futebolista português, que de forma efectiva repetiu o título de Campeão do Mundo de Sub-21. O guarda-redes Brassard também o foi, mas em Riade não chegou a ser utilizado por Carlos Queiroz.
Nascido para o futebol no tripeiro e pode dizer-se portista Bairro do Falcão, só não vestiu de azul e branco, porque alguns iluminados responsáveis pelas camadas jovens do Futebol Clube do Porto, entenderam que era fisicamente frágil. Aproveitaram o Águias da Areosa e mais tarde o Boavista, o fraco olho futebolístico dos vizinhos das Antas.
Em 29 de Janeiro de 1989 o então treinador axadrezado Raul Águas no estádio 1º de Maio, fez saltar do banco um jovem de dezassete anos para ajudar ao triunfo do Boavista por 2-0 sobre o Sporting de Braga. Foi o começo de uma carreira de sucesso. Primeiro no Benfica onde foi capitão e quase sempre a única referência dos encarnados, durante oito épocas.
Homem do tudo ou nada, gerador de grandes ódios ou de grandes paixões, foi empurrado do Estádio da Luz e recebido de braços abertos mais ao lado no reino dos leões. Como não podia deixar de ser, em Alvalade voltou a espalhar o perfume inebriante de um futebol de arte pura, inteligência e eficácia e a ser de novo campeão, agora de verde branco vestido.
Na temporada passada o bom filho regressou à casa e voltou a liderar equipa de xadrês, agora orientada por Carlos Brito.
João Pinto é um caso muito raro de futebolista que alia técnica apuradíssima, grande disponibilidade atlética, baixo centro de gravidade e por isso grande mobilidade. Para além desses predicados,possui uma garra por vezes exagerada. Lida mal com as decisões dos árbitros, os conflitos com os homens do apito são frequentes. Um deles, no decorrer do Mundial Coreia-Japão uma quase agressão ao argentino Angel Sánchez de péssima qualidade e má memória, valeu-lhe meio ano de suspensão.
A partir daí, aquele que é um dos mais internacionais do futebol português, deixou de fazer parte da Selecção. Luis Felipe Scolari é que tem os livros. Mas sinceramente, classe futebolística como a de João Pinto não há nos estádios portugueses e por esse Mundo fora vê-se pouca.

sábado, março 04, 2006

GOLOS,FRANGOS E GALO.



Há golos e frangos e há guarda-redes com galo. De Vítor Baía tem-se falado muito. A imprensa espanhola diz que é elegante até quando é mal batido.Ultimamente tem andado com muito galo (entenda-se azar).
Na Reboleira diante do Estrela da Am
adora, houve capoeira principalmente no segundo golo. Co Adriaanse também entendeu assim e sem explicações mandou-o para o banco, de onde não sairia tão cedo se o brasileiro Helton não tivesse galo, ao lesionar-se num treino.
De regresso à baliza
para comemorar quatrocentos jogos no campeonato -é obra-, voltou a ter galinácio por perto.Uma redondinha caprichosa em tempo de Carnaval, desfilou mais de quarenta metros, tropeçou num tufo de relva, mudou de ideias e traiu um homem que há muito a esperava para o apertado abraço, como tantas vezes o fizeram. Obedecendo a algo invisível, ou ao olhar maroto do francês Robert, a menina infiel só parou no véu da felicidade para uns e de tristeza para outros.
Como campeão que é, o Vitor reconheceu pouco depois ter alguma culpa neste desencontro. Antigos e actuais companheiros que passaram por situações idênticas retiram-lhe responsabilidades. Dizem que são outros tempos, meninas mais elegantes, bonitas e também muito esquivas.
Acrescentam ainda, que a noite estava húmida e não convidava ao romance. O Povão da bola não entende assim. Foi um enorme Capão dizem e não há volta a dar-lhes. Para o grande Vítor Baía, numa jornada que podia ser de dupla festa, foi de grande galo.

sexta-feira, março 03, 2006

NA SELECÇÃO SOB PRESSÃO

Ricardo Andrade Quaresma Bernardo, profissional de futebol do Futebol Clube do Porto. Aos vinte três anos é uma das principais figuras do futebol português. Produto futebolístico da excelente escola do Sporting, tem no seu currículo passagens por todos os escalões do clube de Alvalade e Barcelona de Espanha, títulos nacionais e internacionais nos escalões de formação e seniores. Internacional nas camadas jovens, viu distinguido o seu trabalho ao ser chamado por quatro vezes à primeira equipa de Portugal. De momento é o capitão e figura principal da selecção de Sub 21, mas pelas declarações à imprensa, sonha como é legítimo integrar a equipa sénior que vai estar presente no mundial da Alemanha. Apesar de encontrar alguma dificuldade em controlar o nível de rendimento durante os noventa minutos, Quaresma é em termos de explosão, um contra um e virtuosismo no último passe e finalização, um futebolista muito acima da média. Luis Felipe Scolari chamou-o para o amigável com a Arábia Saudita em Dusseldorf.
Uma convocatória normal e merecida pelo desempenho do “Ciganito” ao serviço do emblema dos Dragões, acabou por de tanto falada e comentada ser prejudicial ao jovem atleta. A comunicação Social e não só, colocaram-lhe demasiada responsabilidade. É um teste decisivo para Quaresma diziam uns… É o tudo ou nada para Quaresma diziam outros… Em Dusseldorf está o visto no passaporte do ala portista para o Mundial, escreviam e diziam outros. Não me parece louvável este comportamento, porquanto o Ricardo Quaresma já justificou a entrada no lote dos escolhidos para representarem o futebol português ao mais alto nível. Quem fez um percurso de baixo para cima em todos os escalões das selecções, pertenceu aos quadros do Barcelona e do Sporting, foi campeão do Mundo de clubes e é titular do Futebol Clube do Porto, não pode estar à mercê de um qualquer julgamento. É pena que o seleccionador, como tantas vezes o faz em defesa de outros, não tenha vindo a público desdramatizar e retirar pressão ao jovem jogador.
Pelo que observei do encontro com a Arábia Saudita apesar do triunfo por 3-0, só o Cristiano Ronaldo autor de dois golos e meio justificou a ida à Alemanha. De resto foi mais um encontro a feijões, num relvado miserável propício a causar problemas físicos aos jogadores e dores de cabeça aos clubes e não serviu coisa nenhuma para definir o lote final dos convocados. Também pouco importava. Não foi Scolari quem disse, que os vinte e três já estão escolhidos há muito tempo?