
Foi dos executantes mais eficazes que eu vi no futebol. Goleador por excelência, movimentava-se com oportunismo arrastando consigo os opositores abrindo verdadeiras avenidas para a finalização dos companheiros. Conhecedor profundo de todos os espaços da “BOX” como dizem os ingleses, dominava com elegância o jogo aéreo e finalizava com os dois pés. Refiro-me ao futebolista Fernando Gomes que no passado dia 22 de Novembro completou meio século de vida.

Produto das escolas de formação do Futebol Clube do Porto, foi figura marcante do emblema das Antas e do futebol nacional dos finais da década de setenta até ao princípio dos anos noventa. Trezentos e dezoito golos marcados, duas botas de ouro de melhor marcador europeu em 82/83 e 84/85, seis bolas de prata, cinco títulos nacionais, três taças de Portugal, duas supertaças, uma taça dos campeões europeus, uma supertaça europeia e uma taça intercontinental, atestam de forma eloquente o currículo campeão de Fernando Gomes, só comparável com o de Eusébio. A camisola das quinas vestiu-a por sessenta e sete vezes em AA, esperanças e juniores.
Futebolista motivador de paixões, aos dezassete anos vestiu pela primeira vez a camisola principal do clube da sua vida, frente à CUF na já longínqua tarde do dia 8 de Setembro de 1974 e o guarda-redes Conhé foi a primeira vítima da jovem promessa goleadora. No mesmo “barco” com Pedroto e o actual presidente portista, Pinto da Costa em 79 /80 no chamado “Verão
Quente Portista” que os afastou do Clube, transferiu-se para os espanhóis do Gijón. Cinco golos na estreia frente ao Oviedo, prometeram uma carreira grandiosa que não se concretizou. Lesões graves no tendão de Aquiles impediram a afirmação total em Espanha e o possível salto para outros clubes de maior projecção. O regresso do Bibota só podia ser às Antas de onde só saiu nove épocas mais tarde dispensado pela equipa técnica e d
e relações tensas com Pinto da Costa. Um acto de indisciplina ocorrido no Funchal antes do jogo com o Marítimo, é uma história que deixou e ainda motiva algumas interrogações nos adeptos do Dragão. O capitão Gomes não teria sido provocado? Os técnicos Artur Jorge e Octávio, não ficaram muito bem no retrato de familia. Certo é que rumou para Alvalade onde durante duas temporadas, foi bem recebido e em defesa de outro emblema voltou a mostrar todo o potencial de futebolista de eleição e fechar de forma exemplar a carreira de goleador de alto nível. Tem vivido um pouco à margem do futebol, mas o regresso ao clube do coração ainda não foi posto de parte, é objectivo que não esconde. O mundo dá muitas voltas e só Deus sabe o dia de amanhã. Afinal, é ainda um jovem ... só festejou 50 anos…Parabéns, Fernando.












