terça-feira, novembro 28, 2006

INSUPERÁVEL … NA ÁREA

Foi dos executantes mais eficazes que eu vi no futebol. Goleador por excelência, movimentava-se com oportunismo arrastando consigo os opositores abrindo verdadeiras avenidas para a finalização dos companheiros. Conhecedor profundo de todos os espaços da “BOX” como dizem os ingleses, dominava com elegância o jogo aéreo e finalizava com os dois pés. Refiro-me ao futebolista Fernando Gomes que no passado dia 22 de Novembro completou meio século de vida.
Produto das escolas de formação do Futebol Clube do Porto, foi figura marcante do emblema das Antas e do futebol nacional dos finais da década de setenta até ao princípio dos anos noventa. Trezentos e dezoito golos marcados, duas botas de ouro de melhor marcador europeu em 82/83 e 84/85, seis bolas de prata, cinco títulos nacionais, três taças de Portugal, duas supertaças, uma taça dos campeões europeus, uma supertaça europeia e uma taça intercontinental, atestam de forma eloquente o currículo campeão de Fernando Gomes, só comparável com o de Eusébio. A camisola das quinas vestiu-a por sessenta e sete vezes em AA, esperanças e juniores.
Futebolista motivador de paixões, aos dezassete anos vestiu pela primeira vez a camisola principal do clube da sua vida, frente à CUF na já longínqua tarde do dia 8 de Setembro de 1974 e o guarda-redes Conhé foi a primeira vítima da jovem promessa goleadora. No mesmo “barco” com Pedroto e o actual presidente portista, Pinto da Costa em 79 /80 no chamado “Verão Quente Portista” que os afastou do Clube, transferiu-se para os espanhóis do Gijón. Cinco golos na estreia frente ao Oviedo, prometeram uma carreira grandiosa que não se concretizou. Lesões graves no tendão de Aquiles impediram a afirmação total em Espanha e o possível salto para outros clubes de maior projecção. O regresso do Bibota só podia ser às Antas de onde só saiu nove épocas mais tarde dispensado pela equipa técnica e de relações tensas com Pinto da Costa. Um acto de indisciplina ocorrido no Funchal antes do jogo com o Marítimo, é uma história que deixou e ainda motiva algumas interrogações nos adeptos do Dragão. O capitão Gomes não teria sido provocado? Os técnicos Artur Jorge e Octávio, não ficaram muito bem no retrato de familia. Certo é que rumou para Alvalade onde durante duas temporadas, foi bem recebido e em defesa de outro emblema voltou a mostrar todo o potencial de futebolista de eleição e fechar de forma exemplar a carreira de goleador de alto nível. Tem vivido um pouco à margem do futebol, mas o regresso ao clube do coração ainda não foi posto de parte, é objectivo que não esconde. O mundo dá muitas voltas e só Deus sabe o dia de amanhã. Afinal, é ainda um jovem ... só festejou 50 anos…

Parabéns, Fernando.

sexta-feira, novembro 24, 2006

CADA TIRO, CADA MELRO

Pois é, são muitos e grandes os passarões que voam e bicam o futebol português. Como diz o meu amigo Paulo Fernando no pontapé na bola lusitano, há cada vez mais pássaros, passarinhos, passarões, aves de arribação e cucos. Verdadeiros abutres arribaram só Deus sabe como, não para o dirigirem com seriedade e competência, mas para se servirem de uma modalidade desportiva que por enquanto, os vai promovendo a Esmo. Por isso, não surpreende que com uma frequência quase diária venham à praça pública casos de corrupção, burlas, negócios ilícitos tendo sempre como denominador comum o “vil metal." São os apitos dourados, os quinhentinhos, os Guímaros, os Calheiros, os Vale Azevedo e agora os Veigas a fazerem com que os amantes do já saudoso futebol- do por amor à camisola- digam alto e com firmeza … Basta, desapareçam, vão para o Inferno.
Neste contexto, por tabela, o Benfica vê-se atingido através de dois dirigentes da "era moderna" Os tempos mudaram no clube dos encarnados da segunda circular. Homens que presidiram aos destinos do emblema da Águia, alguns já na Terra da Verdade e que eu tive o prazer de conhecer como Borges Coutinho e João Santos por exemplo, devem sentir-se envergonhados e revoltados pela degradação moral que se infiltrou e mina, a enorme instituição que eles ajudaram a erguer bem alto.
Quer me parecer, que o “caso Veiga “que eu aqui refiro de raspão vai agravar as já tensas relações entre o Benfica e o Sporting. Recordam-se, há pouco tempo, José Veiga era um zeloso e vibrante presidente da casa do Futebol Clube do Porto no Luxemburgo. O destino às vezes é muito cruel…

quinta-feira, novembro 16, 2006

O FUTEBOL PRECISA DE CHÁ



A polémica está de novo instalada no futebol português. Desta feita, envolve duas grandes figuras do mais alto patamar mundial. Carlos Queiroz e Luiz Felipe Scolari com o jovem prodígio Cristiano Ronaldo no epicentro deste sismo, num país onde os abalos a envolverem gente da bola, são quase diários.
Queiroz, possivelmente a mando do patrão mais chegado o Sir Fergusson, veio de terras de Sua Majestade tentar convencer Scolari a não expor o mais do que tudo de Old Trafford às possíveis caneladas dos toscos jogadores do Cazaquistão. Missão fracassada, o brasileiro, fez ouvidos de mercador e ainda por cima disse das boas. Penso que ambos fizeram o seu papel, os clubes investem fortunas e fazem os possíveis para os preservar os seus profissionais mesmo que seja para servirem o emblema dos seus países. Por sua vez, os seleccionadores mesmo diante de adversários modestos querem dispor dos melhores. No caso vertente, Portugal com o apuramento para o Europeu complicado não podia facilitar. Até aqui tudo bem só que o final desta “ estória “ que devia terminar de forma elevada, teve um final que não lembra ao diabo. O Sargentão não gostou da visita, puxou das divisas e disse a plenos pulmões que Queiroz veio mostrar serviço aos dirigentes e adeptos do Manchester. Esteve em Portugal a cuidar da imagem e a preparar o regresso à selecção.
Tal como aconteceu com o Agostinho Oliveira, o agora muito nervoso e menos seguro Felipão voltou a não ficar bem na fotografia das boas maneiras. Esqueceu-se que Carlos Queiroz é provavelmente o melhor ou um dos mais prestigiados treinadores de formação, com dois títulos mundiais de Sub 21 e muitos europeus noutros escalões jovens.
Senhor Scolari não havia "nexexidade" desse excesso de linguagem para com um colega de profissão que já fez muito pelo futebol português. Por certo desconhece que a maioria dos jogadores que agora trabalham às suas ordens passou-lhe pelas mãos. Assim, por mais vezes que apareça na televisão a fazer apelos à união e ao chefe de familia exemplar, nem eu nem os meus vizinhos vamos ser seus fãs.

quinta-feira, novembro 02, 2006

De Luva Branca



Na passada semana, o futebol português viveu uma série de comportamentos que em nada contribuiram para o pacificar e muito menos o credibilizar no País e fora dele. A propósito do Porto-Benfica começaram bem cedo pasme-se, no fecho da jornada anterior, as suspeitas, os comentários e as acusações de péssimo gosto e não menos leviandade. Dirigentes de comportamento cívico duvidoso e pouca estatura moral, abriram mais uma vez a boca para lançar atoardas sobre um derby apaixonante, que sempre foi vivido intensamente e não necessita para ser belo e empolgante, do contributo de alguns “paraquedistas” que andam a servir-se do futebol para serem conhecidos e satisfazerem vaidades pessoais
Desta vez, também os treinadores quiseram deitar achas na fogueira. De forma surpreendente por todos os motivos e até pelo passado recente, Fernando Santos foi infeliz nas afirmações do final do Benfica – Estrela da Amadora.Tome nota engenheiro, a atitude do Miccoli é de incorrecção, o segundo cartão amarelo é bem mostrado.
A resposta a esses senhores, foi dada nas quatro linhas do estádio do dragão pelos jogadores e pela equipa de arbitragem. Triunfou o mais afortunado num jogo que teve golos, emoção, nacos de bom futebol, disciplina e respeito. Pareceu-me acidental a lesão do Anderson. O grego Katsouranis não teve intenção de magoar o jovem genial brasileiro. Dragões e Águias com os adeptos incluídos, deram bofetada de luva branca a alguns senhores que andam a mais no futebol.
O Leixões – Guimarães, protagonizou outro clássico do futebol português. No estádio do mar só não estiveram bem, as claques dos dois emblemas. Também aqui, os artistas tiveram motivos para calçar...a luva.