quarta-feira, maio 30, 2007

Paolo Maldini, o Senhor Futebol.





Começo do ano de 1968, na cidade italiana de Milão o conhecido futebolista internacional Cesare Maldini enriquecia o seu agregado familiar com a chegada de um robusto rapaz a que deu o nome de Paolo. Um jovem que viria mais tarde a seguir com sucesso ainda maior, a profissão do progenitor. Com jeito para o futebol, a entrada para o AC Milan um emblema que quase se confunde com o clã Maldini, foi natural. Tinha apenas 17 anos, quando se estreou na equipa principal dos “rossoneris” frente à Udinese, pela mão do velho mestre sueco Nils Liedholm. Foi o começo de uma carreira excepcional.
Fisicamente bem dotado, canhoto, polivalente na defesa e em toda a ala esquerda, faz da colocação e simplicidade de processos as suas grandes virtudes. No balneário, é a referência e o elo de aproximação aos que chegam a Milanello, que o diga Kaká. O jovem internacional brasileiro amante de calças jeans, T-shirts e chinelos de dedo, viu no fim de um treino o seu vestuário sumir-se e ser substituído por um elegante Armani. É a imagem de marca de um dos maiores clubes do Mundo, de uma cidade que é também uma das capitais da moda.
Cinco taças dos campeões europeus, sete campeonatos de Itália, duas taças intercontinentais, quatro super-taças europeias, uma taça de Itália e cinco super-taças também de Itália. Vitória com sabor a desforra por 2-1, frente ao Liverpool. Vinte e dois anos de carreira mais de seiscentos jogos no Calcio o agora quase quarentão, teve há dias no Olímpico de Atenas mais um momento alto ao erguer pela quinta vez a taça da liga os campeões da Europa. Neste particular, só é ultrapassado pelo lendário Francisco Gento do Real Madrid com seis títulos. Vestiu cento e vinte e sete vezes a camisola da squadra azurra que capitaneou em setenta e quatro jogos. Curiosamente, não foram relevantes os êxitos ao serviço da selecção.
O AC Milan e o seu capitão já anunciaram que vão prolongar por mais um ano o amor que os une desde sempre. Depois penso que será o adeus com muita pena de ver partir um grande senhor do futebol, que por tudo que tem feito fora e dentro dos relvados, bem merecia a bola de ouro, quantas vezes entregue a futebolistas sem a classe, nem o prestígio de Paolo Maldini. Certo certo, é que não se vislumbra no futebol mundial, talvez Cristiano Ronaldo ou Káká, com tanto talento, personalidade e capacidade para durar tanto ao mais alto nível.
Será que o seu filho Christian, futebolista das camadas jovens do AC Milan vai herdar a famosa e pesada camisa 3 ? Não há duas sem ... Avô, filho e neto dava mais uma bela "estória".

sexta-feira, maio 25, 2007

Sr. de Matosinhos e S. João, de novo de mãos dadas. É um bom exemplo para leixonenses e portistas.



O Porto bicampeão nacional e o Leixões de regresso ao escalão maior do futebol, deram aos populares festejos das duas grandes urbes da região do Grande Porto, redobrados motivos de alegria e animação.
Os Dragões, já têm habituado por várias vezes os seus adeptos a festejos são-joaninos antecipados. Este ano, têm a agradável companhia do vizinho Leixões. Curiosamente a comemorar cem anos, o histórico emblema da Cruz de Pau com uma prestação muito profissional, competitiva e inteligente foi superior aos adversários, nomeadamente ao Guimarães e ao Rio Ave, na discussão do título da liga de honra. Melhor prenda, não podia ter recebido. Duas legiões de adeptos ímpares no amor e dedicação clubísta têm exteriorizado apaixonadamente esse contentamento, principalmente os matosinhenses que acabam de ver concretizado um sonho que durava há quase duas décadas. Pela mão do treinador filho da terra Vítor Oliveira, "Os Homens do Mar” regressam ao convívio dos "Grandes" um lugar que há muito lhes pertence. A sardinha assada, a broa e a boa pinga dos festejos do Sr. de Matosinhos este ano escorregam e assentam melhor.
Os portistas revalidaram o título que Jesualdo Ferreira alcançou pela primeira vez e marcou o fim da carreira do guarda-redes internacional Vítor Baía. Uma vitória inesperadamente sofrida até quase metade da segunda parte do último jogo. Talvez por isso o extravasar dessas emoções tenha sido a causa principal dos confrontos inqualificáveis e algo violentos entre elementos das claques azuis e brancos. No pximo domingo o estádio do dragão vai ser palco de um Porto-Leixões. Apresentado como encontro de campeões, só o será em pleno se de uma vez por todas, os adeptos das duas colectividades esquecerem rivalidades mesquinhas e finalmente derem as mãos.

quinta-feira, maio 03, 2007

NO DRAGÃO, O ANTES E O DEPOIS "P.C."

Polémico, controverso, de argumentação fácil, objectiva e inteligente, Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa é sem dúvida uma das figuras mais marcantes do dirigismo desportivo português das últimas duas décadas. Odiado por muitos, endeusado por outros tantos, a ninguém é indiferente e não deixa de ser admirado por muitos dos seus adversários.
Num clube com uma história secular, tem de considerar-se o antes e o depois da sua chegada ao emblema do Dragão. Em 1962 como vogal da secção de hóquei em patins, deu inicio a uma carreira que passou por outras modalidades e diversas funções, sempre com um denominador comum, o sucesso. Conhecedor de todos “os cantos “ e actividades do Clube, dedica-lhe as vinte e quatro horas do dia e não tolera que ninguém o moleste ou desrespeite.
Chega à direcção do futebol portista em 1976 na presidência de Américo de Sá e um ano depois conquista a taça de Portugal. Bastaram mais duas épocas para alcançar o tão desejado título nacional, que os azuis e brancos perseguiam há 19 anos. Ao lado, no comando técnico, estava o seu grande amigo José Maria Pedroto.
Abril de 1982 marca a eleição de Pinto da Costa para a presidência do Futebol Clube do Porto e a supremacia em definitivo do emblema mais representativo da Invicta, em relação aos grandes da Capital. Foi um somar impressionante de títulos nacionais europeus e mundiais, que seria fastidioso estar aqui a enumerar. Lembro a conquista de várias taças de Portugal, campeonatos, duas taças da Europa, uma taça UEFA, uma super taça Europeia e duas Intercontinentais. Curiosamente, com vários treinadores, alguns deles chegados ao Clube sem qualquer currículo o que demonstra a grande capacidade de relacionamento do P.C.
No assinalar de um quarto e século como responsável máximo do emblema do Dragão, Pinto da Costa anuncia que vai cumprir o último mandato, a pretexto da construção do pavilhão desportivo, para conclusão da obra ímpar do estádio do Dragão. Atitude correcta, se tivermos em atenção, os sucessivos desvios de carácter social, com a presença no quotidiano da sua vida de pessoas de carácter e comportamento duvidosos. Por outro lado, as inúmeras denúncias de corrupção desportiva, neste particular ainda não provadas, têm-no desgastado física e moralmente.
O futuro a Deus pertence, sendo certo que da família portista vai emergir alguém capaz de dar continuidade ao trabalho do “Papa”. Ninguém é insubstituível, mas neste particular quem suceder a Pinto a Costa não vai ter tarefa fácil.
Parabéns Presidente.