quinta-feira, maio 03, 2007

NO DRAGÃO, O ANTES E O DEPOIS "P.C."

Polémico, controverso, de argumentação fácil, objectiva e inteligente, Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa é sem dúvida uma das figuras mais marcantes do dirigismo desportivo português das últimas duas décadas. Odiado por muitos, endeusado por outros tantos, a ninguém é indiferente e não deixa de ser admirado por muitos dos seus adversários.
Num clube com uma história secular, tem de considerar-se o antes e o depois da sua chegada ao emblema do Dragão. Em 1962 como vogal da secção de hóquei em patins, deu inicio a uma carreira que passou por outras modalidades e diversas funções, sempre com um denominador comum, o sucesso. Conhecedor de todos “os cantos “ e actividades do Clube, dedica-lhe as vinte e quatro horas do dia e não tolera que ninguém o moleste ou desrespeite.
Chega à direcção do futebol portista em 1976 na presidência de Américo de Sá e um ano depois conquista a taça de Portugal. Bastaram mais duas épocas para alcançar o tão desejado título nacional, que os azuis e brancos perseguiam há 19 anos. Ao lado, no comando técnico, estava o seu grande amigo José Maria Pedroto.
Abril de 1982 marca a eleição de Pinto da Costa para a presidência do Futebol Clube do Porto e a supremacia em definitivo do emblema mais representativo da Invicta, em relação aos grandes da Capital. Foi um somar impressionante de títulos nacionais europeus e mundiais, que seria fastidioso estar aqui a enumerar. Lembro a conquista de várias taças de Portugal, campeonatos, duas taças da Europa, uma taça UEFA, uma super taça Europeia e duas Intercontinentais. Curiosamente, com vários treinadores, alguns deles chegados ao Clube sem qualquer currículo o que demonstra a grande capacidade de relacionamento do P.C.
No assinalar de um quarto e século como responsável máximo do emblema do Dragão, Pinto da Costa anuncia que vai cumprir o último mandato, a pretexto da construção do pavilhão desportivo, para conclusão da obra ímpar do estádio do Dragão. Atitude correcta, se tivermos em atenção, os sucessivos desvios de carácter social, com a presença no quotidiano da sua vida de pessoas de carácter e comportamento duvidosos. Por outro lado, as inúmeras denúncias de corrupção desportiva, neste particular ainda não provadas, têm-no desgastado física e moralmente.
O futuro a Deus pertence, sendo certo que da família portista vai emergir alguém capaz de dar continuidade ao trabalho do “Papa”. Ninguém é insubstituível, mas neste particular quem suceder a Pinto a Costa não vai ter tarefa fácil.
Parabéns Presidente.

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