terça-feira, julho 01, 2008

Lahm atirado à lama… não estou de acordo.



A Espanha é campeã da Europa com todo o mérito, venceu a Alemanha por 1-0, um resultado que só peca por escasso. Nada a opor ao triunfo de “Nuestros Hermanos”, uma formação jovem, equilibrada, trabalhadora, com grande sentido colectivo e porque não dizê-lo com três ou quatro individualidades ao nível do melhor que há no Mundo: Casillas, Fernando Torres, Xavi Hernández ou Marcos Senna. Todos os comentadores foram unânimes em relevar o mérito espanhol, inclusive os próprios alemães, honra lhes seja feita, souberam com muito desportivismo aceitar a derrota. A escolha de Xavi Hernández como melhor jogador da prova é discutível, mas aceita-se. O brasileiro naturalizado espanhol Senna um verdadeiro muro de betão e o primeiro grande responsável pela segurança e eficácia das transições, também podia ter sido o eleito. Ou Casillas e porque não David Villa o melhor goleador do campeonato?

Pois bem, a minha discórdia vai para a forma como foi “crucificado “ o jovem e polivalente lateral alemão Philipp Lahm. Não esteve bem no mano a mano com o El Niño no lance do golo espanhol? É verdade. Mas por onde andavam os centrais Metzelder e Mertesacker, esses sim dois martelos a deixarem o Lehmanne e os adeptos alemães à beira de um ataque de nervos. Lahm ataca melhor do que defende, marcou um golo e fez últimos passes de alto nível, como aconteceu diante da Turquia. Na Mannschaft esquece-se de que não está a jogar no seu Bayern de Munique, onde a qualidade dos centrais é muito superior. A decisão do treinador Joachim Lo”w de tirá-lo ao intervalo não me pareceu correcta, bem pelo contrário. Numa equipa com os esquemas de jogo bem treinados, as compensações às subidas dos alas devem estar perfeitamente acauteladas. É o B…Á…B…Á do futebol.

Ainda bem que os técnicos da UEFA não embarcaram nos palpites meios avulsos de alguns comentadores. O jovem Philippe Lahm de 24 anos e apenas 1,70 natural de Munique, formado nas escolas do Bayern integra por mérito próprio a selecção ideal do Europeu.

domingo, junho 29, 2008



Viena, Áustria cidade de cultura e arte 29 de Junho de 2008

Ao fim da tarde o velho mas sempre moderno e bem cuidado Prater ou se preferirem Ernst Happel vai dar a conhecer mais um punhado de campeões europeus de futebol. Se bem se recordam foi ali que o Porto de Artur Jorge, Madjer e companhia, conquistaram para o futebol português o mais ambicionado título europeu de futebol de clubes. Já lá vão mais de duas décadas.

Hoje, infelizmente sem portugueses mas com espanhóis directamente interessados, vamos assistir ao fecho de mais uma edição do europeu de futebol de selecções. Quase a jogar em casa com a geografia e a língua a seu favor os alemães preparam-se para deitar a mão a mais um título o quarto em nove participações. Os espanhóis mais modestos, só por uma vez no já longínquo ano de 64 conseguiram a vitória, já agora para que conste diante da então URSS, agora Rússia que nuestros hermanos golearem nesta edição da prova por duas vezes, a última na meia-final. Neste burgo de artistas, alguns dos melhores intérpretes do mundo futebolístico vão estar este fim de tarde no majestoso Prater. Iker Casillas, El Niño, Ballack, Podolski, Lahm, Schweinsteiger, Fàbregas e Puyol fazem parte desse firmamento de estrelas. É difícil apontar um favorito entre dois conjuntos que apesar de algumas excepções individuais valem pelo colectivo. Diante da frioeza germânica implacável na hra de decidir, pode resultar a moral muito alta dos comandados da velha raposa Luís Aragonés que chegam à hora do tudo ou nada, com uma prestação irrepreensível. Ao árbitro italiano Roberto Rosetti, só se pede que passe despercebido.


sexta-feira, junho 27, 2008


O EUROPEU QUASE NO LAVAR DOS CESTOS



Aproxima-se o final de mais uma edição da prova máxima da Europa em futebol de selecções. Para trás ficaram um manancial de emoções e frustrações para uns, afirmação, dever cumprido e aprendizagem para outros.
Desde logo, o fracasso em toda a linha da Grécia, ainda campeã da Europa em título. Despachada sem conhecer um único sabor a vitória nem sequer empate, só confirmou o acidental e porque não imerecido, titulo conseguido há quatro anos em Lisboa.

Num patamar poucos degraus mais acima, ficaram os italianos ainda campeões do Mundo. Donnadoni muito contestado, não me pareceu com ovos suficientes para fazer omeletas de qualidade. Gatuso e Pirlo impedidos por razões disciplinares de jogarem nos quartos de final com a Espanha, apressaram o regresso a casa da squadra azurra. Portugal, também não escapa ao medíocre em termos de prestação desportiva. Com mais de meia equipa titular nas melhores formações de Mundo, só pode ter havido mau trabalho na preparação do colectivo.

O melhor lateral esquerdo português e titular na selecção de sub 21, joga no Roma, chama-se Antunes. Será que só quando tiver trinta anos é que vai merecer a entrada na selecção principal? Ricardo na baliza? Por amor de Deus, tal como na final de Lisboa diante dos gregos, voltou a estar ligado de forma gravosa à derrota frente à Alemanha. O dono da baliza de Espanha Ikar Casillas é guarda redes do Real Madrid campeão espanhol. O Ricardo nem titular indiscutível é no modesto Bétis de Sevilha. Como vêem há só uma pequena diferença.

Pela positiva com argumentos distintos, surgiram a Rússia duas vezes goleada pela Espanha mostrou bom futebol de ataque e dois ou três elementos de futuro promissor. A Croácia e a Turquia dois gigantes na discussão dos resultados, mentalmente muito bem preparadas protagonizaram excelentes nacos de emoção. Também pela positiva, naturalmente os finalistas a Espanha e a Alemanha. Dois estilos de jogo diferentes, prometem um excelente encerramento.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Recados para o rebelde genial



Poucos duvidam, de que Ricardo Quaresma é um dos mais talentosos futebolistas do futebol português. Capaz de ombrear com Figo, Simão Sabrosa, ou Cristiano Ronaldo, também “ alunos de nota vinte”, da incomparável escola do Sporting. Lançado demasiado novo e sem a necessária retaguarda de apoio no super exigente futebol espanhol, não se impôs no Barcelona.
De regresso a Portugal, foi fácil mostrar que a quem sabe nunca esquece. De azul e branco vestido e dragão ao peito, tem deliciado plateias, trocados os olhos aos adversários e desesperados os guarda-redes. Por vezes ouve assobios? É verdade. O “Cigano” tem de participar mais no jogo, decidir a oportunidade das acções individuais e improvisos e nos contactos com a imprensa, moderar a linguagem.
O público é quem paga o espectáculo, por isso tem quase sempre razão e não gosta de saber que os seus preferidos pisam a relva a pensar em outros futebóis e … mais milhões.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

DEIXEM-SE DE “ESTÓRIAS”


Quando queremos justificar insucessos, branquear situações ou incompetências, nós portugueses somos geniais a encontrar soluções ou a inventar “estórias”. O futebol, como não podia deixar de ser, serve de exemplo para tudo no melhor e no pior e neste caso, não foge à regra. Muitos esquecem-se de que para alcançar títulos, bater recordes em suma ter sucesso é preciso trabalho, sacrifício, disciplina e…vamos lá, um pouco de sorte.
Vem isto a propósito das “rábulas” que os futebolistas sul-americanos, principalmente os brasileiros apresentam aos nossos principais clubes por altura da época natalícia. Não cumprem datas, apresentam desculpas esfarrapadas para justificar os atrasos, provocam indisciplina, em suma põem de catrâmbias os balneários e os dirigentes e técnicos à beira de ataques de nervos. Neste particular, o Benfica e o Sporting tem sido nos últimos anos demasiado permissivos e condescendentes com estas situações. Em contrapartida, o grupo de trabalho do Porto é menos flexível, o que atesta de forma inequívoca um maior sentido de responsabilidade e por acréscimo uma maior disciplina e em última análise, uma liderança firme. Na mesma linha de pensamento, veio-me à ideia a forma cada vez mais anárquica e avulsa de como o dia-a-dia do grupo de trabalho é discutido na praça pública.
O caso mais recente foi protagonizado pelo brasileiro Liedson, goleador de Alvalade. Isto para não referir, as inúmeras vezes que nos últimos tempos, as equipas técnicas dois grandes emblemas da “segunda circular “ têm sido desautorizadas e postas em causa. Em contraponto, veja-se com foi tratado no Dragão, a infeliz observação de Bosingwa para o treinador Jesualdo Ferreira.
Como dizia o “mestre” Pedroto, no desporto profissional ou de alto rendimento, a indisciplina, a anarquia e os vedetismos, colocam-nos na melhor das hipóteses em primeiro no campeonato dos últimos.
Deixem-se de “estórias”… procurar desculpas nos "apitos dourados ou prateados", para justificar fracassos, é conversa fiada de quem vê fantasmas em vez de reconhecer os seus próprios erros. erros.