quinta-feira, janeiro 28, 2010




QUE FUTEBOL É ESTE?


O futebol português, está muito “entretido” fora das quatro linhas. A cada jornada que passa, somos "presenteados" com um infindável por vezes patético, rol de suspeitas, acusações e denúncias. Em suma, comportamentos de pessoas para quem a ética desportiva foi chão que deu uvas. Ganhar a qualquer preço, parece ser o único objectivo da maioria dos que dirigem os clubes . Nem a chegada de gente mais jovem feita no futebol por isso obrigados a outra visão e mentalidade, melhorou o ambiente. Bem pelo contrário. Vemos directores, até há pouco exemplares enquanto praticantes, comportarem-se como arruaceiros da pior espécie. O autor destas linhas, fala por experiência própria . Esses"senhores" directa ou indirectamente e de forma indecorosa, pactuam com acções que chegam à agressão física nos acessos aos relvados (mais conhecidos por túneis).

O ministério público já disse, ter recebido mais de uma dezena de casos relativos ao futebol, coisa impensável há bem pouco tempo. Junte-se o número de casos que se arrastam pela justiça desportiva e não só e veja-se a vergonha resultante. O futebol português não sai dignificado e por certo, é alvo de chacota em todo o mundo. Esses estorvos do futebol, deviam ter respeito pelos Ronaldos, Ricardos Carvalho, Decos, Nanis e tantos outros que além fronteiras, elevam e dignificam o futebol português.

Gente, como o treinador Manuel José. No dia em que recebeu a triste notícia do falecimento do seu pai, viu a selecção de Angola cair de forma digna diante do Ghana, uma potencia do futebol africano. A má e infeliz finalização dos Palancas Negras ditou o desfecho de uma partida, em que já se verifica muito trabalho e saber do "Velho Manel."

Voltando à ideia inicial deste apontamento, não tenham a mínima dúvida. Avizinham-se dias escaldantes nos bastidores do futebol português. Dentro das quatro linhas, os esperançados em serem escolhidos para o mundial da África do Sul, vão começar a pensar na finta larga e a “tirar o pé.”

quarta-feira, janeiro 20, 2010

MAIS… DO MESMO.



Novo ano, nova década e não consigo vislumbrar qualquer mudança para melhor no comportamento dos portugueses. Pode dizer-se que por cá, é mais… do mesmo.
Começo pela politica que é como quem diz por aqueles a quem confiamos as rédeas do nosso dia-a-dia e futuro. Prossegue o lavar de roupa suja, a sobreposição dos interesses partidários e ideológicos ao bem do país e necessidades dos cidadãos. Caminhamos a passos largos para uma profunda crise económica, de consequências incalculáveis. Nem as condições de vida infra -humanas de milhares de portugueses, as situações de pobreza extrema, a fome o desemprego o aumento da criminalidade, fazem esses senhores políticos mudar de ideias, comportamentos e de uma vez por todas pensarem no bem-estar dos portugueses . Estamos cada vez mais social e geograficamente na cauda da Europa.
No desporto, particularmente no futebol, que é a razão principal deste apontamento, continua pois claro, mais… do mesmo. Os clubes perto doa ruptura financeira no limite do endividamento, são na sua maioria orientados, por oportunistas à procura do imediatismo e mediatismo, ostracizando a criação de estruturas, que possibilitem um futuro sustentado e tranquilo às colectividades. Pactuam com a aquisição de futebolistas em quantidade sem olhar à qualidade, para resolver situações em que por vezes a solução esta dentro de portas. Fazem formação para quê? Jovens promessas com anos de formação moral e desportiva, são preteridos por um qualquer perna de pau, chegado não sei de onde, pela mão de empresários cada vez mais sem escrúpulos.
Por tudo isto, não há empatia entre as quatro linhas e as bancadas, a qualidade do futebol que se joga dentro portas baixa a cada época que passa e o número de espectadores diminui drasticamente. O nosso futebol outra vez na maior montra mundial, tem mais de noventa por cento das suas principais figuras, a jogarem em outros campeonatos.
Naturalmente que já ninguém tem “pachorra” para ouvir, em cada ronda do calendário discutir casos, falar de suspeitas, e rematar os assuntos com o estafado provincianismo, Norte -Sul. Isto tudo, tem naturalmente a ver com "o sem lei nem roque" da arbitragem, acusada por todos e até por quem a dirige, de incompetente e mais grave ainda, de julgarem de forma parcial .Quando matérias disciplinares imputadas a profissionais que representam verbas enormíssimas às suas entidades patronais, demoram meses a analisar e a decidir, … estamos conversados.
Meus senhores, dediquem-se a outras funções, a agricultura agradecia o vosso contributo, (cabedal).
Mais do mesmo, por motivos completamente diferentes, são os que ”o velho” Manuel José nos proporciona, agora à frente da selecção de Angola. Depois do enorme sucesso no Al Ahly do Egipto, o meu amigo “Manel” dá cartas na selecção de Angola. Foi primeiro no grupo A ,em confronto com a Argélia, o Mali e o Malawi, está nos quartos de final da CAN e vai medir forças com o Gana. Por pouco, ia defrontar o Burkina Faso, orientado pelo seu ex. jogador Paulo Duarte. Aos dois parabéns e como diz a sabedoria popular: De todo, em Portugal, “santos da casa não fazem milagres”.

sexta-feira, janeiro 15, 2010




DO MINHO COM VALOR. O FUTEBOL, AGRADECE.



O Sporting de Braga, é a sensação que não surpresa, da liga principal do futebol português. À viragem do campeonato continua na liderança, posição que ocupa desde o apito inicial da edição 2009/2010 excepção feita na oitava jornada, em que trocou com o Benfica.

Proeza que não surpreende, pois de algumas épocas a esta parte se via que o emblema arsenalista trabalhava no sentido de criar estruturas, para atingir patamares mais ambiciosos. Jesualdo Ferreira, Jorge Costa, Jorge Jesus e por último Domingos Paciência foram apostas de uma direcção dinâmica, competente e bairrista, disposta a dar outra dimensão ao futebol do clube mais representativo da capital do Minho.

Clube a poucos dias (dezanove deste mês) de festejar oitenta e nove anos, já marcou presença por cinquenta e três vezes na primeira divisão e venceu a Taça de Portugal em 65/66. É também um clube virado para o ecletismo, com grande projecção nacional e além fronteiras, no atletismo.

Saúda-se deste modo a prestação bracarense no futebol português, que na primeira ronda venceu de forma categórica os chamados três grandes. Há grande expectativa para o desenrolar da segunda metade do campeonato e questiona-se não a qualidade, mas a quantidade de ovos que Domingos Paciência possui para fazer mais quinze omeletas. É sem dúvida, um dos grandes atractivos da liga sagres.

De resto, regista-se a prestação menos conseguida a nível interno dos campeões nacionais,que ainda não conseguiram liderar a prova.Negativo é também o percurso de mais baixos que altos do Sporting: - terceiro na primeira jornada, décimo à segunda, oitavo na décima ronda e actualmente na quarta posição. O comportamento diametralmente oposto do Leixões em relação à época transacta, é também um aspecto em análise. Lanterna vermelha à viragem do campeonato, vai exigir muito trabalho, concentração, sorte e mais respeito dos senhores da arbitragem.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

O Luto voltou ao Futebol


Desta vez, foi a selecção de futebol do Togo que sofreu a incompreensão e o ódio dos homens. O ataque cobarde da “flec” frente de libertação do enclave de Cabinda, que vitimou mortalmente três elementos da comitiva Togolense deve merecer a condenação e o repúdio de todo o Mundo. Após a tragédia, o capitão e principal figura Emmanuel Adebayour jogador do Manchester City, disse que jogar seria a melhor forma de homenagear os companheiros barbaramente assassinados. Não entendeu assim o governo de Laomé, a selecção do Togo saiu do CAN, regressou a casa e sujeita-se a sanções desportivas.
No que concerne à parte desportiva, Manuel José ficou à beira de um ataque de nervos ao ver a sua equipa Angola, receber e presentear o Mali até perto dos oitenta minutos com uma exibição de luxo e quatro golos sem resposta. Depois foi o deslumbramento, a desconcentração e a ingenuidade dos angolanos a permitirem o empate, já para além dos noventa minutos. Nos quarenta e tal anos da carreira do meu bom amigo Manuel José, nunca sucedeu uma situação destas e creio que no futebol mundial também não. O Manel, por certo já puxou as orelhas à rapaziada e Angola vai fazer as honras da casa. Tem potencial para isso.
Paulo Duarte é o outro treinador português no CAN. O seu Burkina Faso jogou taco a taco com a Costa do Marfim comandada pelos credenciados Didier Drogba e Salomon Kalou. O empate sem golos foi excelente para os comandados do ex leiriense. Carlos Queirós assistiu e por certo tirou excelentes apontamentos do adversário de Portugal no Mundial da África do Sul.
Ainda no CAN, vi o Egipto virar o resultado e vencer de forma concludente a Nigéria por 3-1 e mostrar que está em Angola para revalidar o título e chegar ao tri africano. Recorde-se que no conjunto dos Faraós, há muita gente que trabalhou com Manuel José. Por último, gostei da forma como Moçambique reagiu aos dois golos do Benim. Lobo o melhor dos “Mambas” e Fumo a empatarem o jogo e na defesa Mexer a nova aquisição do Sporting, deu boas indicações.
Depois desta primeira“apalpadela” à Taça das Nações Africanas passei pelo futebol europeu e fiquei impressionado com um “menino” que joga em Espanha no Racing de Santander. Com apenas dezoito anos tem uma velocidade de execução fantástica, joga de forma vertical e finaliza com facilidade. Fez os dois golos do triunfo do Racing diante do Sevilha no Sánchez Pizjuán e já soma quatro golos na liga espanhola. Produto da cantera do emblema da Cantábria, internacional nas camadas jovens, não admira que o Real Madrid já “ande de olho em cima deste prodígio” de 1,76 e 65Kg. Por certo,vão ouvir falar muito de Sérgio Canales Madrazo.

sábado, janeiro 09, 2010

7 De Janeiro de 1985

Foi há um quarto de século que deixou o mundo dos vivos, uma das figuras mais marcantes do futebol português José Maria Carvalho Pedroto. Futebolista internacional de fino recorte com características de organizador de jogo, foi como treinador que mais se destacou. Culto, inteligente sempre adiantado no conhecimento e aplicação de novos métodos físicos e técnicos, frequentou cursos de formação em França e na Alemanha, o popular “Zé do Boné” foi e é reconhecido e respeitado por colegas e adversários. Como cidadão, foi interventivo na vida política do País e na defesa dos interesses da classe, esteve sempre na primeira linha.

Natural de Almacave, Lamego filho de um militar do exército, aos sete anos acompanhou os pais para a cidade do Porto. Leixões, Lusitano de Vila Real de Santo António, Belenenses e Futebol Clube do Porto foram os emblemas que Pedroto defendeu, protagonizando na passagem do Belenenses para o Porto a transferência mais cara do futebol - (500 contos em 1952 era muito dinheiro). Duas vezes campeão nacional e vencedor de uma Taça de Portugal com a camisola do Futebol Clube do Porto e dezassete vezes internacional quatro das quais com a braçadeira de capitão, são marcos significativos do seu palmarés de futebolista de eleição.

Como técnico começou nas camadas jovens do Futebol Clube do Porto em 1960 e um ano depois, conduziu a selecção nacional de juniores ao título europeu. Foi o lançamento para uma carreira repleta de êxitos, com destaque para o trabalho desenvolvido em Setúbal com enorme projecção do clube do Sado a nível internacional. No Boavista conquistou duas Taças de Portugal e um segundo lugar no campeonato, estavam criados os alicerces que anos depois levariam os axadrezados ao título nacional, sob a batuta de um dos seus pupilos Jaime Pacheco. No Porto, a segunda família de Pedroto, ganhou títulos, lutou contra centralismos, conservadorismo e burocracias. Suportou inúmeras incompreensões e traições que lhe valeram a expulsão do clube. Com o apoio sempre presente de Pinto da Costa, voltou para desinibir e personalizar o futebol portista, abrindo-lhe as portas à Europa e ao Mundo, (quatro títulos europeus e dois mundiais).

Hoje, à passagem dos vinte e cinco anos do seu passamento, os seus familiares, a família portista e os seus amigos quiseram estar presente na sua segunda casa, para o recordarem, o imortalizarem num espaço no “Dragão” com o seu nome e dizerem-lhe até sempre “Mestre”, obrigado pelos teus ensinamentos.