Foi h
á um quarto de século que deixou o mundo dos vivos, uma das figuras mais marcantes do futebol português José Maria Carvalho Pedroto. Futebolista internacional de fino recorte com características de organizador de jogo, foi como treinador que mais se destacou. Culto, inteligente sempre adiantado no conhecimento e aplicação de novos métodos físicos e técnicos, frequentou cursos de formação em França e na Alemanha, o popular “Zé do Boné” foi e é reconhecido e respeitado por colegas e adversários. Como cidadão, foi interventivo na vida política do País e na defesa dos interesses da classe, esteve sempre na primeira linha.
Natural de Almacave, Lamego filho de um militar do exército, aos sete anos acompanhou os pais para a cidade do Porto. Leixões, Lusitano de Vila Real de Santo António, Belenenses e Futebol Clube do Porto foram os emblemas que Pedroto defendeu, protagonizando na passagem do Belenenses para o Porto a transferência mais cara do futebol - (500 contos em 1952 era muito dinheiro). Duas vezes campeão nacional e vencedor de uma Taça de Portugal com a camisola do Futebol Clube do Porto e dezassete vezes internacional quatro das quais com a braçadeira de capitão, são marcos significativos do seu palmarés de futebolista de eleição.
Co
mo técnico começou nas camadas jovens do Futebol Clube do Porto em 1960 e um ano depois, conduziu a selecção nacional de juniores ao título europeu. Foi o lançamento para uma carreira repleta de êxitos, com destaque para o trabalho desenvolvido em Setúbal com enorme projecção do clube do Sado a nível internacional. No Boavista conquistou duas Taças de Portugal e um segundo lugar no campeonato, estavam criados os alicerces que anos depois levariam os axadrezados ao título nacional, sob a batuta de um dos seus pupilos
Jaime Pacheco. No Porto, a segunda família de Pedroto, ganhou títulos, lutou contra centralismos, conservadorismo e burocracias. Suportou inúmeras incompreensões e traições que lhe valeram a expulsão do clube. Com o apoio sempre presente de Pinto da Costa, voltou para desinibir e personalizar o futebol portista, abrindo-lhe as portas à Europa e ao Mundo, (quatro títulos europeus e dois mundiais).
Hoje, à passagem dos vinte e cinco anos do seu passamento, os seus familiares, a família portista e os seus amigos quiseram estar presente na sua segunda casa, para o recordarem, o imortalizarem num espaço no “Dragão” com o seu nome e dizerem-lhe até sempre “Mestre”, obrigado pelos teus ensinamentos.
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