domingo, março 04, 2007

SEM DEFESA


Caiu um grande campeão. Inesperada, dura, cruel, traiçoeira, na vida e no desporto, a única forma de deitar por terra Manuel Galrinho Bento. Para a história do futebol português, fica a memória de um dos melhores guarda-redes de sempre.
Da Golegã, sua terra natal ao Riachense, Barreirense, Benfica e Selecções, fez um percurso brilhante. Vestiu por 63 vezes as cores nacionais e capitaneou a equipa das quinas em 26 jogos. Com o emblema do Benfica, a sua grande paixão, em 464 jogos conquistou dezasseis títulos. De baixa estatura para o específico posto de guarda-redes, superou esse pequeno contra com uma extraordinária capacidade de impulsão, destemor e super capacidade de reflexos. A vontade de trabalhar, sacrifício e humildade fizeram o resto. Na memória ficam-nos algumas jornadas de brilho ao mais alto nível.
No Europeu de 84 em França o diálogo futebolístico com a super estrela Gaulesa, agora presidente da UEFA Michel Platini ou no Alemanha – Portugal em Estugarda, na forma como se opôs aos “tiros” do “bombardeiro” Rummenigge, para guardar o precioso golo de Carlos Manuel que nos levou ao mundial do México 86. Particularmente e em termos profissionais recordo um Porto-Benfica nas Antas para a Super Taça Cândido de Oliveira. O diálogo guarda-redes – ponta de lança que travou e venceu com o “bibota” Fernando Gomes, foi das coisas mais lindas que eu vi nas quase cinco décadas que levo de futebol. Há cerca de um ano o coração marcou-lhe um castigo máximo, que o Manel Galrinho ultrapassou, mas desta vez o adversário foi mais forte. Acabou vencido no lance mais importante da sua vida.
Já no ALÉM, junta-se a uma preciosa plêiade de grandes guarda-redes: Azevedo, Costa Pereira e ao seu companheiro e grande adversário Vítor Damas. O treinador vai ter mais dificuldades para escolher o titular.
Paz à tua alma, amigo.

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