quinta-feira, fevereiro 02, 2006

A propósito de Mantorras


Admirador confesso do futebolista internacional angolano Pedro Mantorras, julgo não terem sido oportunas e muito menos inteligentes as declarações do jogador do Benfica no regresso do Egipto onde a selecção de Angola esteve longe de mostrar porque é um dos representantes de África no Mundial de futebol da Alemanha, que se avizinha. Nos três jogos
que Angola efectuou na CAN, Mantorras nunca foi titular e esteve em campo poucas dezenas de minutos. A situação não agradou ao ponta de lança angolano e de imediato tal como faz na procura da baliza adversária manifestou-a de forma directa e contundente aos jornalistas. Até aqui tudo bem, é livre de manifestar a sua opinião, de fazer sentir o que lhe vai na alma. Mas ... e como em tudo há sempre um mas, neste caso ressaltam diversos aspectos a ter em conta. Mantorras talvez mal aconselhado reagiu de forma inoportuna ao dizer que se as coisas continuarem assim, renuncia à selecção de Angola. Os "Palancas Negras" não estiveram bem, longe disso, duas derrotas um empate e o abandono prematuro da prova, criaram um ambiente frágil fora e dentro do balneário, pouco propício a atitudes e decisões radicais. O Pedro Mantorras esquece-se que os seus níveis físicos actuais não são os melhores, prova disso é a utilização fraccionada nos jogos da liga portuguesa. O Seleccionador de Angola Luis Oliveira Gonçalves, não fez mais do que Ronald Koeman tem vindo a fazer. A recuperação total fisica, psíquica e futebolistica do avançado do Benfica e de Angola deve ser progressiva, feita de pequenas participações no jogo. Acresce ainda, que o Mundial de futebol na Alemanha está à porta e do que as equipas apuradas neste momento mais necessitam é de união, solidariedade e conjugação de esforços sem deixar de serenamente analisarem o que está menos bem. Mantorras, por representar um emblema de prestígio Mundial particularmente querido no seu País, é um dos expoentes máximos da selecção angolana e será um dos artistas mais aplaudidos nos palcos germânicos. A atitude infeliz agora tomada, pode sair-lhe cara. Por muito menos já vimos grandes estrelas do futebol ficarem na bancada, ou a verem os jogos pela televisão. Esperemos que tal não aconteça. Mantorras agora de cabeça fria vai reflectir e com a humildade, o carácter e a força com que venceu a gravissima lesão que quase o colocou na porta de saída do futebol, vai dialogar com os responsáveis da selecção e tudo será esclarecido e ultrapassado. Pela primeira vez num Mundial de futebol, Angola precisa de se apresentar confiante, personalizada e unida e Pedro Mantorras é sem dúvida um dos elos mais fortes, de uma das três selecções que em terras germânicas vão falar português.


Oigrés


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