
Volto a partilhar convosco, aqui no meu blog, algumas ideias sobre os guarda-redes. Os tais desprotegidos pelos deuses que nem deixam crescer a relva onde eles actuam. Os “pobres” futebolistas que passam muito tempo sozinhos em campo, a observar a bola os companheiros e os adversários. Ultimamente, as claques adversárias decidiram ajuda-los a quebrar esse isolamento. De forma mal-educada e covarde, lembram-lhes pessoas queridas da família. UH, UH, UH… filho da pu…
Devo também confessar que enquanto praticante de futebol nunca
tive simpatia e muito menos aptidões para a baliza. Na minha infância, ser escolhido para evitar que a bola passasse uma linha imaginária definida por duas pastas de livros e cadernos, era motivo de tristeza e infelicidade. Só para lá iam ou os mais fracos
fisicamente ou os desajeitados para o pontapé na bola.
Alguns anos depois, a minha opinião mudou radicalmente. É uma posição específica, muito exigente em atributos físicos e psíquicos. São os únicos que não podem falhar e o seu desempenho individual é determinante para o êxito do colectivo. Fiz boas amizades com excelentes guarda-redes, recordo particularmente os nossos: Bento, Zé Beto e Vítor Damas, lá fora apreciei o russo Yashin o italiano Zoff, e o alemão Maier.
Vem esta introdução e por acréscimo este relevar dos guarda-redes, a propósito do regresso ao trabalho de campo do jovem guardião do Benfica, o internacional Moreira. Sem dúvida um dos maiores talentos da nova geração de futebolistas. Com apenas dezanove anos estreou-se na primeira divisão lançado pelo técnico Toni e pouco tempo depois era o dono indiscutível da baliza dos encarnados. Precoce como gua
rda-redes, também o foi no capítulo das lesões. Não é muito vulgar sofrer de problemas de cartilagens nos joelhos aos vinte e dois anos. Em Outubro do ano passado fez o último jogo regressou por duas vezes sem êxito, foi operado ainda nesse mês e há uma semana, ao que tudo indica completamente recuperado, voltou ao trabalho de campo e à preparação específica. Um regresso que os adeptos do futebol saúdam, o de um jovem que ainda juvenil deixou o Salgueiros à procura de outros voos no clube da águia. Personalidade forte apesar dos ainda jovens vinte e três anos, internacional em todos os escalões, José Filipe da Silva Moreira, natural do Porto, está pronto para um novo assalto à baliza dos encarnados da Luz. Moretto e Quim que se cuidem Moreira não facilita a concorrência. Entretanto dirão os dirigentes do Benfica, não há fome que não traga fartura.
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