terça-feira, fevereiro 14, 2006

Scolari... ainda não me convenceu


Sou dos poucos portugueses, que não pertence à numerosa lista de admiradores de Luis Filipe Scolari. O ar paternal e o aspecto bonacheirão, a fazer lembrar um texano bem sucediddo não me caiu no goto, principalmente porque o técnico brasileiro quando deriva para o futebol, é tudo menos flor que se cheire. A simpatia e a cordialidade desaparecem, para dar lugar a um cidadão de nariz empinado por vezes a roçar a arrogância. Foi campeão do Mundo à frente da selecção brasileira, mas esse estatuto não lhe dá a presunção de julgar que o futebol começa e acaba nele e que as ideias dos outros não têm fundamento, são meras opiniões. Quem disse que o Pelé não percebia nada de futebol? Scolari esquece-se de que do lado de cá do Atlântico, o futebol já não é chutão para a frente e bola quadrada. Quem acompanha o fenómeno, sabe que Scolari poucos meses antes de erguer a taça no Coreia-Japão, teve "a cabeça" a prémio na fase de qualificação das mais sofridas em todo o Brasil, conseguida quase de forma dramática. Depois, teve o mérito de disciplinar um grupo de futebolistas de nível superior, desde logo motivados por se encontrarem na principal montra do futebol mundial, trampolim para contratos multimilionários.
Em Portugal, Scolari começou por criar fortes atrítos ao excluir atletas de nível internacional e provas dadas nas selecções, com o agravante de nunca ter trabalhado com eles. Como foi possível por em causa aspectos morais e profissionais sem os conhecer? No campeonato da Europa de que Portugal foi anfitrião, observou e experimentou vários futebolistas alguns de valor duvidoso. Curiosamente, no jogo inaugural andou às apalpadelas, a exibição foi má e o resultado ainda pior, derrota por 2-1 com a Grécia. Aos poucos foi dando a mão à palmatória, Ricardo Carvalho, Deco e Maniche passaram de alternativas a titulares indiscutíveis e peças importantes na caminhada para a final. No jogo decisívo, de novo o desaire desta vez por 1-0 outra vez frente aos gregos. Dento de portas com todo o País engalanado com bandeiras e cachecóis a puxar pela selecção teve sabor a desastre. A chamada ao grupo de trabalho de João Pinto, Vitor Baía e Sérgio Conceição experientes e habituados a confrontos de alto nível poderia ter sido benéfica.O técnico brasileiro escolheu mal, dividiu os jogadores e incompatibilizou-se com as direcções de alguns clubes.
Ainda com Scolari no comando, Portugal prepara a participação no Mundial da Alemanha. No apuramento, a Rússia em fase de renovação acabou por não discutir como seria de esperar a qualificação muito inexperiente, foi goleada por Portugal 7-1 e ultrapassada pela Eslováquia. A Estónia, a Letónia, o Liechtenstein e o Luxemburgo foram uns bons segundos planos. Já não há adversários fáceis, mas todos concordam que o grupo da equipa de todos nós foi bastante acessível. Agora nos palcos Germânicos, vamos ter pela frente: Angola, Irão e México. Três adversários perfeitamente ao alcance da equipa nacional, desde que sejam respeitados e não voltemos a entrar Saltilhadas como aconteceu no México ou nas confusões ainda por esclarecer,verificadas no mundial da Coreia-Japão. Pela aragem que já se respira a menos de meio ano do início da competição, não vai ser fácil, Scolari ao dizer que o grupo de trabalho é práticamente o mesmo, desmotiva quem aspira e trabalha para vestir a camisola das quinas, ao referir que talentos como Ricardo Quaresma capitão e figura número um dos Sub 21 para o campeonato da Europa que decorre em Portugal está praticamente excluido da equipa A, ao continuar cego em relação a Sérgio Conceição o melhor jogador do campeonato Belga e a piscar dia sim dia sim o olho à selecção inglesa, está atear fogos. Motivos que me levam a augurar tudo, menos tranquilidade à selecção do Portugal no antes durante e após o mundial da Alemanha. Prevejo isso sim, um Verão bem escaldante... oxalá me engane. Sobre Luis Felipe Scolari, julgo que consegui justificar a minha menor simpatia pelo Felipão... treinador de futebol.

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