quarta-feira, fevereiro 14, 2007

VIVA A TAÇA

A segunda prova mais importante dos calendários futebolísticos, produz "estórias” carregadas de emoção e surpresa, principalmente quando as eliminatórias são resolvidas num só jogo. Sem necessidade de puxar o filme muito atrás, por exemplo à época dos quase imbatíveis cinco violinos,que não conseguíram evitar o desaire do Sporting diante do Tirsense. A conquista da Taça pelo Leixões nas Antas frente ao Porto em 61,numa tarde memorável para o saudoso Osvaldo Silva. Ou em 81 com o até então desconhecido Cabeça Gorda da bela cidade alentejana de Beja, a saltar para as primeiras páginas ao despachar o Penafiel da primeira divisão comandado pelo então treinador-jogador António Oliveira.
Mais recentes, lembro outras proezas por exemplo em 99, a queda em pleno estádio das Antas do Futebol Clube do Porto diante do Torriense que por pouco não fez “rolar” a cabeça do quase a seguir engenheiro do "penta" Fernando Santos, ou a proeza do Gondomar que em 2002 em pleno “ninho da águia” mandou o Benfica pela borda fora.
A edição deste ano não está a deixar créditos por mãos alheias. Que o digam “os Dragões” arrumados dentro de portas pelo velhinho e carismático Atlético num reencontro que trouxe à memória jornadas de enorme saudade. Na Póvoa, o Benfica foi vitima diante do Varzim que durante noventa minutos, esteve ao nível dos tempos em que ir ao reduto poveiro era sinónimo de tormenta. Mais abaixo na Figueira da Foz também com o mar por perto Bragança último da série A da segunda divisão, desceu ao imoral e esqueceu por uma tarde o quotidiano de inúmeras carências, fez Taça diante da Naval uma das sensações da primeira liga. Apetece perguntar que segredo envolve a prova rainha do nosso futebol pródiga em criar “Davides”e a trazer à ribalta colectividades de que nunca tínhamos ouvido falar? Será só desconcentração, menor empenho, menosprezo ou complexo de superioridade a que os analistas costumam deitar mão para justificarem a queda dos mais fortes? Para mim, há um de tudo um pouco e também feitiço e magia indispensáveis a todas as festas.
Sporting-Académica, Beira Mar-Boavista, Braga-Varzim e Bragança-Belenenses, são os sobreviventes acasalados por esta ordem e candidatos a receber das mãos do Presidente da República o belo e magnificamente trabalhado, troféu de prata. Os estudantes, que em 39 ganharam a primeira edição da prova 4-3 diante do Benfica, ainda continuam na corrida.
Glória aos vencedores, Honra aos vencidos.

Sem comentários: