DESPORTO NO PAÍS DO FAZ DE CONTA

Confesso que pela primeira vez que me sinto completamente alheado e pouco ansioso em relação à nova época do futebol português. A dança das transferências, os reforços das equipas e o nervoso miudinho relativo às expectativas da nova temporada, têm – me passado ao lado. Já dei comigo a pensar se este distanciamento não é motivado pelos muitos futebóis do Mundial que vi durante o último mês. Sinceramente não me pareceu ser essa a razão. Será a facilidade de acesso via TV, aos outros campeonatos mais ricos e naturalmente mais competitivos que me está a fazer perder essa paixão? Depois de muito meditar, descobri que o meu desenca
nto, tem a ver com as muitas situações confusas e pouco dignificantes, que em todos os finais de época entram no nosso futebol como faca quente em manteiga.O caso Mateus começou a fazer correr tinta logo após as decisões dos campeonatos e já originou o corte de relações entre os azuis de Belém e os de Barcelos. Perante tanta inoperância dos órgãos jurídicos da Federação e da Liga de Clubes ainda ningu
ém sabe quem fica ou quem baixa de divisão e a preparação das equipas já começou. Para os outros clubes é uma questão de pormenor, mas para as direcções dos emblemas em causa o problema complica-se atendendo às exigências dos planteis para cada um dos escalões. Não tenho capacidade para opinar sobre esta matéria e muito menos, de que lado está a razão. Só lamento a incapacidade de quem tem obrigação de julgar em tempo minimamente aceitável, ao que parece uma simples má inscrição. Ponham os olhos no Cálcio e na forma drástica como despromoveram clubes históricos, por corrupção e falsificação de resultados. A sentença só foi conhecida há dias porque a Squadra Azzurra estava a
competir na Alemanha no Campeonato do Mundo que acabou por conquistar. Pergunto, se o caso”
Apito Dourado fosse investigado e julgado em Itália, demoraria tanto tempo e ficaria assim? É por estas e por tantas outras situações estranhas, que o futebol português me desencanta cada vez mais.Vai-me valendo o “Tour” e os relatos competentes dos meus amigos João Pedro Mendonça e o Marco Chagas todos os dias na RTPN. A propósito, sabiam que os organizadores da corrida de bicicletas mais importante do Planeta decidiram num piscar de olhos mandar para casa Jan Ulrich, Ivan Basso e mais algumas dezenas de corredores “top” por questões relacionadas com o doping?
Pois é, continuamos a ser um País de brandos costumes, onde depois de amanhã também é dia.
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