quarta-feira, janeiro 10, 2007


FALSA QUESTÃO




A tributação de IRS a aplicar aos atletas profissionais de futebol não é um assunto novo. Em 2003 no governo de Durão Barroso com Bagão Félix na pasta das finanças, foi legislado que os profissionais de futebol até então taxados a 50%, iriam ver gradualmente agravados os descontos até atingirem a totalidade – o que se vai verificar neste ano fiscal.
Tema para todas as conversas por mexer com figuras populares, motiva por isso mesmo todo o tipo de análises, soluções e muita especulação, mas só acontece por desconhecimento da lei, já publicada em Diário da República. Parece-me, que o que mais preocupa os futebolistas profissionais principalmente os das grandes equipas é a tributação ser alargada aos valores auferidos com direitos de imagem, publicidade e prémios de jogo. Sobre esta matéria, penso não haver dúvidas da dureza e riscos físicos da profissão de futebolista e da duração das suas carreiras ao mais alto nível competitivo; sendo também certo de que há outras profissões e actividades exigentes e de duração curta, com o agravante de os salários serem muitíssimo mais baixos.
Neste contexto, os profissionais em causa, através dos seus sindicatos deviam pugnar junto do Governo no sentido de conseguirem legislação que apoiasse e beneficiasse os incentivos à poupança, tendo como objectivo salvaguardar o futuro de muitos milhares dos profissionais de futebol e não só, que recebem salários mais baixos quantas vezes tarde e a más horas.
"Está vida muito difícil" para todos e o futebol é das primeiras actividades a reflectir os efeitos da crise económica. A indústria do futebol como lhe chamam, já há muito deu mostras de não estar a passar por um bom momento em parte por outras razões. Basta quantificar o número de grandes e históricas colectividades que ficaram pelo caminho e das assimetrías entre o futebol do interior e do litoral do País. Os clubes devem enveredar por projectos bem alicerçados e não embarcar em ideias levianas de uns quantos falsos mecenas oportunistas.
Julgo também, que é urgente reflectir sobre o estatuto de atleta profissional. Será que todos têm condições para o ser? Deixar de estudar ou de aprender outras profissões a troco de um futuro incerto, parece-me extremamente arriscado. A conciliação é possível e a Académica de Coimbra já foi um bom exemplo. É que para o “mundo” dos Figos, Decos, Maldinis e Ronaldos "o visto" é cada vez mais exigente.

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