quinta-feira, janeiro 18, 2007

À MOLHADA, NÃO.




Reconheço, aplaudo e dou os parabéns à RTP pela feliz iniciativa do programa” Os Grandes Portugueses”. Para além do mais é uma forma de dar a conhecer aos mais novos uma centena de personalidades ilustres e marcantes da nossa História. Foi mais uma boa importação das televisões de outros países que cai como sopa em mel, se atendermos a que o ensino e interpretação da nossa História andam pelas ruas da amargura. Entretanto, este programa tem aspectos que me merecem fortes reparos e total discordância. Desde logo, juntar na mesma escolha a propor à votação do público, personalidades de áreas e épocas completamente diferentes. Camões versus Rosa Mota, Marquês de Pombal com Fernando Pessoa, D. Afonso Henriques e Eusebio. Não seria mais lógico e verdadeiro escolher por actividades? Não é por acaso que na escolha das primeiras dez personalidades não constam mulheres, a Amália aparece em décimo quarto lugar e Florbela Espanca na trigésima quarta posição. Sem querer beliscar o valor dos dez mais votados, houve escolhas perfeitamente orquestradas. Não é justo que Álvaro Cunhal esteja entre os dez primeiros e que por exemplo, Mário Soares apareça em décimo quarto e Francisco Sá Carneiro em décimo sexto, isto para compararmos políticos mais ou menos contemporâneos. Já não falo do esquecimento a que foi votado Camilo Castelo Branco, Moniz Pereira, Teófilo Braga, Fernando Pessa, o cronista Fernão Lopes ou Palmira Bastos, são alguns casos de ingratidão dos portugueses que votaram.
Reparem, figuram na lista dos mais votados, nomes como o de Maria do Carmo Seabra. Sabem quem é? Eu também não. A muito custo descobri que foi ministra da educação no governo de Santana Lopes; e que dizer dos votos na jovem promessa de actor Hélio Pestana de “morangos com açúcar”, – é preciso ter lata…
Não há bela sem senão. Volto a frisar a ideia é excelente e pode ser o pontapé de saída para chutar de vez os “enlatados” das programações televisivas. A condução do programa com a Maria Elisa só podia ser excelente. Alguns convidados por serem de áreas diferentes deviam ficar em casa no sofá… Aí esta feira de vaidades.

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