domingo, abril 09, 2006



Arbitragem e a Mulher de César


Há situações carregadas de mistério, suspeita e sobretudo muita especulação e se estão em causa questões relativas a arbitragem no futebol então pior se encontra o doente. Vem isto a propósito das estranhas lesões que esta época tem afligido alguns árbitros da primeira categoria, vamos recordar:
Em Dezembro do ano passado o Porto-Sporting, devia ser dirigido por Olegário Benquerença, lesionou-se e foi substituído por Lucílio Batista. Curiosamente, o agora Sporting-Porto importantíssimo para a definição do titulo, também sofreu alteração na equipa de arbitragem. O designado Pedro Proença, da Associação de Arbitragem de Lisboa, o número um da última temporada, queixou-se de impedimento fisico e foi coberto por Duarte Gomes também da Associação de Árbitros da Capital. Há pouco tempo, João Vilas Boas juiz de Braga ainda por motivos de saúde saiu do jogo Rio-Ave-Benfica, para dar lugar a Paulo Paraty de má memória para os Vilacondenses. De facto são coincidências a mais. A Comissão de Arbitragem presidida por Luis Guilherme, tem resolvido estas questões com mais ou menos serenidade e diga-se com algum êxito. Mas, para a gente do futebol há algo de menos claro no aparecimento destas estranhas lesões, mesmo em cima da linha de chegada. Sabe-se que o apoio médico aos árbitros não é o mais eficaz e que os homens do apito são humanos e como tal sujeitos a problemas inesperados de saúde. Compreendemos tudo isso, mesmo tratando-se de agentes desportivos muito bem remunerados e com controlos físicos frequentes. Por isso e para evitar suspeitas, é importante haver mais transparência nestas situações, recorrendo por exemplo aos meios de comunicação para mostrar os documentos médicos de incapacidade.
É uma máxima que vem da antiga Roma; “À Mulher de César não lhe basta ser séria, tem de parecê-lo."


PS. Duarte Gomes substituiu Pedro Proença no Sporting-Porto. Esteve bem, não influiu no resultado e foi elogiado pelos dois treinadores.

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