segunda-feira, abril 24, 2006

Porto e Pinto da Costa. Uma (2P) de Sucesso


Jorge Nuno Pinto da Costa é, quer queiram ou não, uma figura incontornável do dirigismo português e europeu, particularmente do futebol. Com uma capacidade de liderança invulgar, grande facilidade de argumentação, transformou e conduziu o seu mais do que tudo, -Futebol Clube do Porto-, ao topo do futebol mundial. Como vulgarmente de diz, ganhou tudo o que havia para ganhar. A poucos dias de completar vinte e quatro anos como presidente dos dragões e bater o recorde de Pimenta Machado, com dirigente desportivo há mais tempo em funções, Pinto da Costa continua insaciável, festejando o último título como se do primeiro se tratasse. Viena de Áustria, Sevilha, Gelsenkirchen e Tóquio por duas vezes, foram cinco marcos históricos na afirmação do clube internacionalmente. Dentro de portas, somou catorze titulos nacionais oito triunfos na taça de Portugal e treze vitórias na super taça Cândido de Oliveira. Nas modalidades ditas amadoras, saboreou idênticos êxitos.
O título que os azuis e brancos acabam de conquistar, tem muito da acção do presidente. De peito feito, defendeu e atacou os que se opuseram, insultaram e criticaram o treinador holandês Co Adriaanse.
Contestado por muitos por dirigir de forma fechada, o crescimento desportivo e patrimonial do clube a todos os níveis, tem desvalorizado e deitado por terra os argumentos dos seus adversários. O novo estádio do dragão é um belíssimo equipamento e se ao lado, tomasse forma um pavilhão polivalente para as outras modalidades, era “ ouro sobre azul.”
Sem se vislumbrar no imediato o abandono da cadeira presidencial, esta época Pinto da Costa correu alguns riscos, caso não vencesse o título que já na época passada foi morar no ninho da águia. O fracasso na Liga dos Campeões custou a digerir e a contestação da grande maioria dos associados, só foi adiada. Acredito que no final desta época em que ainda pode chegar à dobradinha, tem criadas condições para uma saída em beleza, o mais difícil será convencer os portistas mais fieís da não candidatura. O desgaste de mais de duas décadas à frente de um grande clube deixa mossas e o presidente portista tem lutado contra tudo e contra todos. Desde o Governo à Câmara Municipal do Porto, passando pelas pequenas quezílias quase diárias com os dirigentes de outros emblemas. Por amor e dedicação ao clube, em várias ocasiões sacrificou e incompatibilizou-se com a família.
Pinto da Costa inteligente e perspicaz, com uma experiência única do fenómeno futebol, já percebeu que se aproxima a hora da saída e quase de certeza, já definiu o perfil do seu substituto.
Seja quem for e quando acontecer, vai ter vida muito difícil.

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